Moradores de dezenas de bairros de Belém e da Região Metropolitana relatam interrupções frequentes, baixa pressão e falta de comunicação após a privatização do saneamento, enquanto o governo do Estado evita se manifestar sobre o agravamento da crise. Foto: Reprodução
Desde que a operação do saneamento em cidades paraenses passou para a iniciativa privada, com a criação da concessionária Águas do Pará, o que era ruim parece ter ficado ainda pior na rotina de milhares de moradores de Belém e Ananindeua. Em dois dias, uma enxurrada de comentários em publicações da empresa nas redes sociais escancarou o tamanho da insatisfação: falta d’água diária, ausência de aviso prévio, água turva quando retorna, contas altas e sensação de abandono por parte do governo estadual.
Antes da privatização, os serviços da Cosanpa já eram alvo de críticas históricas, marcados por desabastecimento, vazamentos e água de baixa qualidade. Esse quadro foi resultado de um longo processo de sucateamento e desinvestimento, atravessando vários governos, incluindo as gestões de Helder Barbalho (MDB); um colapso fabricado.
“Privatizar sempre piora e fica mais caro”, resume um dos comentários. Outros são mais diretos: “O que era ruim ficou pior”; “Nunca senti tanta saudade da Cosanpa”.
Pelo menos 20 bairros de Belém e áreas de Ananindeua atingidos em 48 horas
Levantamento feito a partir dos comentários nas redes da própria empresa mostra que, em cerca de 48 horas, moradores relataram falta de água ou baixa pressão em pelo menos 20 bairros de Belém, entre eles Umarizal, Reduto, Nazaré, Pedreira, Sacramenta, Cremação, Guamá, Jurunas, Campina, São Brás, Marco, Telégrafo, Souza, Bengui, Mangueirão, Marambaia, Parque Verde, Pratinha, Castanheira, Cidade Velha, além de reclamações em Ananindeua (Cidade Nova 5 e 6, Conjunto Satélite, Conjunto Pedro Teixeira, Costa e Silva) e relatos de problemas contínuos em outras áreas da Região Metropolitana.
Em muitos casos, os moradores falam em três, quatro e até cinco dias consecutivos sem água, especialmente em bairros como Umarizal, Reduto, Guanabara, Satélite e Cidade Nova. Há registros de bairros sem abastecimento desde sexta-feira, passando todo o fim de semana com torneiras secas.
“Belém continua sem água neste domingo. Sexta ficou o dia todo sem água. No sábado só voltou de tarde. E no domingo não tem água de novo. É muita incompetência”, escreveu um morador. Outro desabafa: “Eu só queria ter água todo dia, é pedir muito?”.
Enquanto a falta de água compromete a rotina de milhares de famílias paraenses, o governador Helder Barbalho (MDB) permanece em silêncio, como se o governo estadual não tivesse responsabilidade sobre o colapso do serviço. A crise expõe um descompasso evidente entre a propaganda oficial e a realidade vivida pela população: longe das campanhas institucionais, a torneira segue seca quase todos os dias.
O que diz a Águas do Pará
Em publicação nas redes sociais, usada como resposta padrão aos questionamentos, a Águas do Pará afirma que as intervenções são necessárias e fazem parte de um processo de melhoria. No texto, a empresa diz:
“As manutenções emergenciais impactaram o abastecimento, e entendemos os desafios que isso trouxe para o seu dia a dia. Essas intervenções, porém, são fundamentais para proteger a rede, evitar riscos maiores e garantir que o sistema continue funcionando com segurança.
Essas ações fazem parte do nosso processo contínuo de melhoria, passos necessários para que a água chegue até você com mais regularidade, qualidade e menos interrupções.
Estamos trabalhando para que tudo volte ao normal o mais rápido possível e para que situações como essa sejam cada vez mais raras.”








