Aviso foi feito durante o recesso escolar, sem diálogo com a comunidade, e contradiz promessa de reforma anunciada pela Seduc em 2024; escola funciona há mais de 50 anos e atende ensino regular, EJA e educação especial. Foto: Reprodução
Enquanto a cidade ainda vivia o recesso de fim de ano, o governo de Helder Barbalho (MDB) surpreendeu a comunidade escolar da Pedreira, em Belém, com o anúncio do fechamento de mais uma unidade da rede estadual: a Escola Estadual de Ensino Fundamental Maroja Neto. A informação chegou “na calada da noite” a professores e servidores, sem diálogo público e em flagrante contradição com promessas oficiais de reforma.
Com mais de 50 anos de funcionamento, a Maroja Neto é uma escola de referência na região. Atende do ensino fundamental ao médio, além da Educação Especial e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Localizada na Avenida Pedro Miranda, cumpre papel estratégico para bairros como Pedreira, Sacramenta e áreas do entorno. Há mais de cinco anos, porém, a comunidade escolar convive com a precarização: turmas em revezamento e funcionamento improvisado na Escola Rodrigues Pinagé, também compartilhada com estudantes da Escola Justo Chermont.
Em 2024, o governo do Pará e o então secretário de Educação, Rossieli Soares, anunciaram a reforma e revitalização da unidade. O que veio depois foi o oposto: obras paradas, e agora, a ameaça de fechamento definitivo. Diante desse histórico, não se trata de descuido administrativo ou contingência orçamentária. O movimento aponta para um projeto de abandono, que normaliza o desmonte da escola pública e transfere o custo social para estudantes, famílias e trabalhadores da educação.
Fechar a Maroja Neto significa expulsar alunos do território, sobrecarregar escolas já lotadas e negar o direito à educação à quem não pode pagar por uma escola particular. É também romper com a memória e a história da Pedreira, apagando uma instituição que atravessou gerações.
Escolas esquecidas: o abandono como regra
O fechamento e a ameaça de extinção de escolas não é um caso isolado. No bairro do Guamá, a Escola Estadual Celina Anglada, localizada na Travessa Liberato de Castro, foi fechada para reforma e simplesmente caiu no esquecimento do governo estadual. Sem obras, sem cronograma público e sem explicações à comunidade, o que era para ser uma intervenção temporária virou mais um símbolo do abandono da rede pública.
Situação semelhante vive a Escola Hilda Vieira, no Médici I. A unidade está abandonada há anos. O Estado optou por alugar um prédio no Entroncamento e transferir a escola para lá, sob a promessa de reformar o prédio original, que nunca saiu do papel. O resultado é o mesmo, com prédios deteriorados, recursos gastos com aluguel e comunidades inteiras privadas de escolas dignas em seus próprios territórios. O padrão se repete e revela que o problema não é pontual, é estrutural.








