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Por trás da aparente balbúrdia que cerca o escândalo do Banco Master, aparecem as digitais dos patrocinadores do golpe de 2016, que operaram a desregulamentação do sistema financeiro e do mercado de capitais, abrindo as portas para toda sorte de falcatruas e de lavagem de dinheiro para o crime organizado
Por Aldenor Junior
O escândalo do Banco Master e suas múltiplas ramificações seguem polarizando a cena política nacional. Isso já dura meses e nada indica que haverá solução a curto prazo, a não ser que seja servida uma gigantesca pizza capaz de salvar todos os malfeitores – os que já deram sua cara ao distinto público, mas, sobretudo, os muitos engravatados que ainda permanecem à sombra.
Desse nervosismo que atinge o andar de cima e se espraia pelo tecido da mídia, cria-se a impressão que existe uma espécie de cabala, mistério insondável e hiper codificado, impedindo os simples mortais de entender as raízes que possibilitaram a falcatrua que pode consumir uma fortuna ainda não suficientemente calculada, mas que deve ultrapassar muitas dezenas de bilhões de reais. Mas, não é bem assim.
O respeitado economista e colunista econômico, Luís Nassif, há décadas realizando um trabalho de destrinchamento das engrenagens do tal mercado, fornece em seu canal do YouTube as pistas para tornar o assunto algo mais terreno, fruto de ações humanas e movidos por uma intencionalidade muito determinada. Segundo ele, na raiz da balbúrdia instalada no sistema financeiro e no mercado de capitais, está o golpe que apeou Dilma Rousseff do poder, em 2016, dando as rédeas do país a Michel Temer e a seu grupo de hienas furiosamente sedentas de oportunidades de (fazer) negócios.
É a partir daí, sob o comando de Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto e suas equipes no Banco Central, que foram urdidas as medidas de desregulamentação e flexibilização do sistema financeiro e do mercado de capitais, enfraquecendo a capacidade fiscalizatória do Banco Central e deixando raposas felpudas cuidado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Um crime quase perfeito.
Foi nesse contexto que o caos foi semeado. O Master, o Reag, a profusão de Fintechs suspeitas, a infiltração do PCC, o elo com os cardeais do Centrão (Ciro Nogueira e Antônio Rueda à testa dessa ‘Ndrangheta que opera controlando a mesa do Congresso Nacional), tudo enfim está conectado com esse modelo que se nutre das opções macroeconômicas neoliberais e ultra privatistas.
Ao assaltarem o Estado, para destruí-lo por dentro, o que os gatunos perseguem é abocanhar fatias crescentes da riqueza nacional, através de uma ciranda que parece não ter fim. Até que o esquema de pirâmide começa a ruir e a conta é espetada nas costas do contribuinte brasileiro.
O amanhã depois de amanhã
O rolo ficou mais intenso quando os tentáculos do Master no Judiciário vieram à luz. Dias Toffoli está na corda bamba e, mesmo que queira, não há como vê-lo como vítima de qualquer conspiração. Ele poderia ter declinado (jurado suspeição) e outro ministro teria assumido o caso, inclusive, se agisse com prudência, este magistrado, pura e simplesmente, fecharia as portas do Supremo à manobra da defesa de Daniel Vorcaro, que urdiu a subida da investigação à mais alta Corte da Justiça brasileira. Era óbvio que a manobra somente poderia interessar aos acusados.
Ainda falta identificar – e individualizar as culpas – do mastodôntico braço político do Master. Mas, convenhamos, isso é quase como a véspera do fim do mundo, algo como uma bomba Tsar, aquela arma dos tempos da finada União Soviética, que sozinha carregava o potencial de 50 megatoneladas de TNT, o equivalente a 2500 vezes o artefato lançado sobre Nagasaki.
Para a sociedade brasileira nada mais interessa que ver tudo em pratos limpos. Afinal, o Master descortina o verdadeiro e insidioso duto de corrupção que abastece as altas rodas do crime. Sem desbaratar essas organizações não há como falar em democracia substantiva em nosso país.
*Aldenor Junior é jornalista








