Foto: Reprodução de vídeo de alagamento na Doca e print de matéria na Agencia Pará de 31 de março de 2025. 

Quase um ano depois de matéria publicada pela Agência Pará em que o secretário de Estado de Obras Públicas do Pará (Seop), Ruy Cabral, comemorou o suposto fim dos “alagamentos históricos” no bairro do Reduto, em Belém, após a instalação de comportas no canal da Doca, a realidade voltou a confrontar a propaganda oficial.

“Este fim de semana foi a prova concreta do impacto positivo que a Nova Doca trará para a vida das pessoas. Famílias e empreendedores que antes sofriam com casas e comércios alagados agora podem ter mais tranquilidade e segurança. Além disso, a eliminação dos alagamentos significa mais saúde para a comunidade”, afirmou o secretário em 31 de março de 2025. Na ocasião, segundo o governo, a maré teria alcançado 3,6 metros.

Em março de 2026, o que se vê é o que os alagamentos continuam ocorrendo. Moradores relatam que, além de persistirem, a água passou a atingir ruas do entorno que antes não registravam esse tipo de problema, ampliando a área afetada. A mesma reclamação vem ocorrendo em ruas próximas à avenida Tamandaré.

Diante desse cenário, chama atenção a tentativa de tratar como normal que uma obra que consumiu R$ 312 milhões em recursos públicos não tenha solucionado um dos problemas urbanos mais recorrentes de Belém. Em uma cidade historicamente carente de investimentos em infraestrutura, a ineficácia das obras deveria ensejar explicações por parte do poder público, se não, uma investigação.

Até agora, no entanto, o que se observa é silêncio do governo do Pará e da Prefeitura de Belém, ou a repetição de justificativas que atribuem os alagamentos apenas à intensidade das chuvas ou à altura das marés, quando há tecnologias de engenharia que tem lidado com cenários semelhantes em outras cidades do mundo. Quando obras dessa escala não produzem os resultados prometidos a explicação não pode se limitar à força da natureza.

Deixe um comentário