Daniel Vorcaro – Foto: Claudio Gatti/Brazil Economy
Por Aldenor Junior
O escândalo do Banco Master escalou outro patamar com a divulgação, em escala ampliada, de trechos obtidos com a quebra do sigilo do celular do agora presidiário Daniel Vorcaro, esse vigarista que se tornou multibilionário dando golpes no sistema financeiro nacional. As revelações são bombásticas e atingem em cheio, como era de se esperar, a cúpula do Centrão e do bolsonarismo, mas sobrou também, e em forma de vexame, para o ministro Alexandre de Moraes. Afinal, o que um membro do STF faz trocando mensagens com um trambiqueiro no dia em que seria preso (pela primeira vez) pela PF? De que “bloqueio” Vorcaro trata com Moraes? O que tudo isso tem a ver com o contrato de R$ 136 milhões que o liquidado Banco Master mantinha com o escritório de advocacia da esposa e dos filhos do ministro do STF?
Flagrada com a boca na botija (recheada com muitos bilhões de reais), a direitona reagiu. É hora de gritar “pega, ladrão!” e desviar os olhares para o lado do governo e do PT. É neste contexto que entra a quebra (ilegal, tudo indica) dos dados bancários do empresário Fábio Luís, o Lulinha, o filho mais velho do presidente Lula, desde sempre alvo de ataques da oposição. Se todo mundo está envolvido, o impacto se dilui e o caminho estaria aberto para um acordão, parecem insinuar.
Mas o jogo é mais bruto. O diabo foi libertado da garrafa e colocá-lo de volta não será uma tarefa fácil, quem sabe até impossível.
Ciro Nogueira, Antônio Rueda, Hugo Motta, Nikolas Ferreira, Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Ibaneis Rocha, Davi Alcolumbre, Cláudio Castro e toda a multidão lombrosiana que os acompanha não podem dormir tranquilos. Não há como dar um passo além nas investigações sem que um mar de lama venha à tona. E será a direita a principal atingida. Por isso, é preciso tragar o governo e a esquerda para essa pelada de várzea, com a sujeira batendo nos joelhos de todo mundo.
Por ironia, caberá a André Mendonça, um ministro do STF indicado por Bolsonaro,
ditar o ritmo das investigações. Não será uma tarefa fácil, ainda mais com o véu de suspeitas que cobre, até agora, dois de seus pares: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Fala-se em Lava Jato 2.0. Dissemina-se teorias conspiratórias envolvendo da Faria Lima à CIA, sem falar em amplos segmentos da mídia corporativa. Noves fora, podemos estar diante de simples roubalheira sistêmica, a tradicional rapinagem que as elites praticam contra o patrimônio público desde os tempos coloniais.
O que se pode garantir, em meio a um clima de evidente instabilidade, é que o Caso Master impactará fortemente o quadro político até outubro.
Se houver um despertar das mobilizações sociais exigindo o fim da impunidade esse movimento poderá emparedar a direita e abrir caminho para seu enfraquecimento eleitoral.
Este, sem dúvida, é o maior desafio para as próximas semanas. Caso contrário, estará formada a tempestade perfeita para fazer do tema do combate à corrupção uma arma poderosa nas mãos dos salafrários de sempre.
Aldenor Junior é jornalista








