Prefeito anunciando aluguel de guarda-chuvas – Foto: reprodução
Por Aldenor Junior
Belém não é para principiantes. E nem para embusteiros, ilusionistas do TikTok e toda essa malta que se imagina ilusionista de circo mambembe. A capital dos paraenses é uma cidade marcada por enormes contradições, por desigualdades seculares que gritam. Nem todos parecem atentos. É mais cômodo crer na propaganda falaciosa e permanecer num estado cataplético. A cidade “em ordem” e que “marcha para o futuro” é uma piada sem graça.
As águas de março chegaram e Belém veio ao fundo. Os mais céticos dirão que isso sempre aconteceu, revelando fatalismo e acomodação. Não é bem assim. É óbvio que não se trata de um problema novo. A questão é o choque de expectativas. Afinal, para onde foram parar as centenas de milhões que teriam sido investidos em obras de saneamento – o tal legado da COP30 – justamente para resolver, de uma vez por todas, o crônico problema de alagamento, pelo menos nas áreas que sofreram as maiores e mais caras intervenções, como na chamada Nova Doca de Souza Franco?
As cenas são impressionantes. Nunca como agora a Doca alagou tanto. Isso é incontestável. As razões podem estar submersas em segredos de engenharia e em determinados elos que unem empreiteiras a operadores políticos que frequentam os gabinetes mais poderosos do estado. Propaganda enganosa, jogada eleitoral, na hipótese mais favorável a esses atores, cuja esperteza é conhecida até pelas pedras de lioz que ornamentam nossas calçadas.
Aí entramos na gestão do prefeito Igor, o dileto primo do governador. Chamá-lo de prefeito é um exagero. Melhor denominá-lo de estafeta, serviçal, menino de recado. Sem autonomia, sem projeto, mas com uma função bem determinada: fazer da Prefeitura um comitê eleitoral e uma fonte capaz de abastecer uma máquina político-partidária que tem pretensões a se perenizar como dinastia.
Parece um plano perfeito, só que não é tão simples assim. Não há controle absoluto. A anulação por sentença judicial da indecente manobra que levou à aprovação, em meio a um contexto de violência, do chamado pacote das maldades de Igor, é um bom exemplo de que a resistência além de necessária é o único caminho.
A sessão da Câmara Municipal em 17 de dezembro foi um escárnio. As leis aprovadas não têm valor jurídico e há muito já deveriam ter sido revogadas. Elas são a raiz da greve prolongada do funcionalismo e representam parte de um projeto de desmonte de direitos sociais, o verdadeiro centro da ação política do clã Barbalho.
A luta, porém, está só no início. Crer na possibilidade de fazer frente a um projeto tão truculento exige perseverança. É é essa qualidade que se espera da oposição política popular e dos movimentos sociais. Quem crer, verá.
Aldenor Junior é jornalista








