Investigações apontam que as mensagens enviadas à deputada federal Carol Dartora (PT-PR) e à deputada estadual Lívia Duarte (PSOL-PA) partiram do mesmo remetente, evidenciando uma estratégia sistemática de violência política – Fotos: Mário Agra/Câmara dos Deputados e Redes Sociais/Lívia Duarte
A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) registrou boletim de ocorrência após receber, no último domingo (15), mensagens com ameaças de morte e ataques de cunho racista, misógino e contra a comunidade LGBTQIAPN+ em seu e-mail institucional da Câmara dos Deputados. A parlamentar, que é mulher negra, afirma que as investidas integram uma estratégia sistemática de intimidação contra mulheres em espaços de poder.
O caso foi oficialmente comunicado à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República, ao Departamento de Polícia Legislativa da Câmara, ao Ministério da Justiça, além das lideranças do PT e da Bancada de Mulheres na Câmara.
Mesmo remetente já havia ameaçado deputada estadual no Pará
As mensagens endereçadas a Dartora foram assinadas por Lucas Bovolini Martins — mesma autoria identificada em ataques dirigidos em fevereiro à deputada estadual Lívia Duarte (PSOL-PA), primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa do Pará em dois séculos de história.
Na ocasião, a parlamentar paraense recebeu ameaças explícitas contra sua integridade física: “Seu assassinato será tão real quanto a dor que você sentiu ao ler isso. Sua existência é uma piada. Não é suficiente que eu quebre todos os seus ossos”, dizia trecho da mensagem criminosa.
Lívia Duarte também acionou as autoridades para investigar o caso. Há suspeitas de que o remetente utilize um provedor sediado na Suíça, conhecido por dificultar o rastreamento de usuários.
Ameaças a parlamentares negras se repetem em diferentes estados
Para Carol Dartora, os episódios não são isolados, mas parte de uma prática organizada para silenciar mulheres, sobretudo negras e de esquerda, que ocupam espaços de decisão política. “Essas ameaças buscam intimidar e afastar mulheres dos espaços de poder. Seguirei firme exercendo meu mandato e lutando para que nenhuma mulher precise escolher entre sua segurança e sua participação política”, afirmou.
O padrão de violência política também foi registrado recentemente no Rio de Janeiro, onde a deputada estadual Renata Souza (PSOL) sofreu ameaças de morte. Os ataques atingem parlamentares que, segundo dados do Censo 2022, representam uma população majoritariamente negra no país — 56% dos brasileiros se declaram pretos ou pardos —, mas que seguem sub-representadas nos espaços de poder.
Ameaças contra parlamentares legitimamente eleitos constituem grave atentado à democracia e à representação política da sociedade brasileira.
Com informações da Fórum e ICL








