Foto: Ponto de Pauta
A Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) realiza, na próxima segunda-feira, 11 de maio de 2026, às 14h, uma sessão especial para discutir a campanha pelo reconhecimento do Ver-o-Peso como patrimônio cultural imaterial do Brasil. A iniciativa foi solicitada por feirantes do complexo e proposta pelo deputado estadual Bordalo.
A sessão será realizada no Auditório João Batista, na sede da Alepa, localizada na Rua do Aveiro, nº 130, no bairro da Cidade Velha, em Belém. O encontro deve reunir representantes do poder público, instituições de preservação do patrimônio, pesquisadores, trabalhadores do Ver-o-Peso e entidades da sociedade civil.
A mobilização surgiu em meio à preocupação de feirantes com possíveis mudanças planejadas pela Prefeitura de Belém para áreas tradicionais do complexo. Segundo trabalhadores, a retirada do Porto Foca, feita sem diálogo prévio com os feirantes, aumentou o temor de novas intervenções.
“Recentemente, foi retirado o Porto Foca daqui sem avisar os feirantes. Tiraram na marra e levaram para o final da avenida Tamandaré. Tem rumores dizendo que os próximos passos da prefeitura é retirar a Pedra do Peixe pra ir também pra Tamandaré e tirar a Feira do Açaí e levar lá pra perto do Porto da Palha. A gente não tem certeza, mas há rumores. E onde há fumaça há fogo”, afirmou Mario Lima, presidente do Instituto Ver-o-Peso, entidade que reúne organizações dos feirantes.
A campanha busca ampliar a proteção nacional do Ver-o-Peso. Embora o conjunto tenha sido tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1977, o reconhecimento existente se concentra no patrimônio material, como a arquitetura dos casarios da Boulevard Castilhos França, de influência europeia, e a paisagem natural do entorno.
Para os feirantes e defensores da campanha, esse reconhecimento é insuficiente, pois não contempla os saberes, práticas, modos de fazer e relações sociais que dão vida ao Ver-o-Peso. O complexo é considerado um patrimônio vivo da Amazônia, marcado por práticas ancestrais ligadas às heranças indígenas e africanas, à circulação de alimentos, ervas, peixes, açaí, remédios naturais, religiosidades, ofícios e formas tradicionais de comércio.
A proposta em debate é fortalecer o processo de reconhecimento das atividades desenvolvidas no complexo como patrimônio cultural imaterial do Brasil. A medida busca valorizar os trabalhadores que mantêm a tradição do Ver-o-Peso e garantir maior proteção às práticas culturais transmitidas entre gerações.
De acordo com Mario Lima, a campanha deve envolver uma ampla mobilização social, com abaixo-assinado de apoio de feirantes, universidades, institutos federais, entidades e da população em geral.
“Estamos preparando um grande abaixo-assinado de apoio com feirantes, população, universidades, institutos federais e outras entidades para que seja enviado para o Ministério da Cultura, em Brasília, pra que fique registrado, pra que a gente tenha segurança de que a gente não vai sair daqui. Essa é a grande meta nossa”, afirmou.
Serviço
Sessão Especial sobre a Campanha para Reconhecimento do Ver-o-Peso como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil
Data: 11 de maio de 2026, segunda-feira
Horário: 14h
Local: Auditório João Batista, Assembleia Legislativa do Pará
Endereço: Rua do Aveiro, nº 130, Cidade Velha, Belém








