Foto: Reprodução/Condsef

O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado do Pará (SINTSEP-PA) denuncia, neste 23 de março, Dia da SUCAM, a permanência de uma grave injustiça histórica envolvendo milhares de trabalhadores que atuaram no combate às endemias no Brasil.

Criada em 1970, a Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (SUCAM) foi responsável por ações fundamentais no enfrentamento de doenças como malária, febre amarela e doença de Chagas. No entanto, os chamados “sucanzeiros”, que estiveram na linha de frente dessas campanhas, foram expostos a substâncias altamente tóxicas, como o DDT e o BHC, sem equipamentos de proteção adequados.

Décadas depois, os impactos dessa exposição continuam presentes: doenças crônicas, sequelas neurológicas, casos de câncer e mortes precoces fazem parte da realidade desses trabalhadores. Muitos enfrentam dificuldades para acessar tratamento médico, agravadas pela ausência de políticas públicas de assistência e reparação.

Dados apresentados em propostas legislativas indicam que a maioria dos óbitos entre esses servidores ocorreu antes dos 60 anos, reforçando a relação entre o trabalho exercido e o adoecimento. Apesar disso, o Estado brasileiro ainda não garantiu reparação ampla às vítimas.

Atualmente, entidades sindicais e movimentos organizados pressionam pela aprovação da PEC 101/2019, que prevê plano de saúde vitalício para os trabalhadores intoxicados, e do PL 5.489/2023, que trata da assistência integral às vítimas.

Para o SINTSEP-PA, trata-se de uma questão de justiça social e de responsabilidade do Estado. “Esses trabalhadores foram fundamentais para salvar vidas no Brasil. Hoje, seguem lutando para sobreviver às consequências de um trabalho realizado sem proteção e sem amparo”, destaca a entidade.

O sindicato reafirma seu compromisso com a luta por reconhecimento, assistência à saúde e indenização para os trabalhadores intoxicados e suas famílias.

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