O que a gestão do prefeito Igor Normando está fazendo na Vila da Barca tem nome: racismo ambiental. (Na foto, o ex-prefeito garantiu moradia digna aos moradores durante sua gestão. Crédito: Macio-Ferreira)
Por Edmilson Rodrigues
O único projeto que viabilizou o direito de moradia digna na centenária Vila da Barca, durante as gestões coordenadas por mim à frente da Prefeitura de Belém, é chamado hoje de “radicalismo do PSOL”, em nota do jornal Diário do Pará. Se melhorar a vida das pessoas que vivem no abandono é impensável para alguns, sim, somos radicais.
O jornal aplaude o projeto da atual gestão que, longe de querer melhorar a vida dos moradores, autorizou em 2025 que o governo do estado, comandado pelo primo do atual prefeito, Helder Barbalho, despejasse esgoto e entulho de obra da Avenida Doca de Souza Franco dentro da Vila da Barca. Mais do que racismo ambiental, era o início de um projeto planejado para destruir e expulsar os moradores do local. Hoje, a Vila da Barca é alvo de um projeto da Prefeitura de “compra assistida” das casas, um desvio de finalidade da forma criada especialmente para garantir a segurança de habitantes com moradias em situação de risco, como a ameaça de desmoronamento, por exemplo, o que não é o caso.
Esse projeto da Prefeitura é um grandíssimo favor à especulação imobiliária. Pois no entorno da Avenida Pedro Álvares Cabral, próximo à Vila da Barca, se multiplicam os edifícios de luxo com vista para a Baía do Guajará. Aquela área é hoje o ponto privilegiado dos muito ricos de Belém.
Os valores oferecidos de até R$ 195 mil por casa podem encher os olhos de alguns moradores e causar divisão entre eles, mas tendem a não garantir melhor habitabilidade. São recursos que poderiam ser investidos na própria Vila da Barca para ampliar o direito à moradia digna e de qualidade e preservar o direito que eles também têm de ter a vista para o rio.
O nosso radicalismo possibilitou o projeto básico de urbanização, iniciado em 2003, pelo qual já foram construídas e entregues 278 unidades habitacionais e 8 comércios com sistema de abastecimento de água potável e rede de esgotamento sanitário, incluindo uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), sendo que água e esgoto são de competência legal do governo do estado, mas fomos nós que fizemos. Além disso, deixamos em fase de conclusão 76 unidades habitacionais com rede de água e esgoto.
Forçar os moradores da Vila da Barca a sair de suas casas é uma violência que só favorece o esquema milionário de especulação imobiliária. Falta radicalismo para o atual prefeito, Igor Normando, que prioriza empresas, terceirizando serviços de saúde e virando garoto propaganda de marcas de aluguel de guarda-chuva e de patinete, quando a obrigação do gestor é melhorar a vida da população.
*Edmilson Rodrigues é professor da Ufra, ex-prefeito de Belém e ex-deputado federal.








