Mais da metade dos tiroteios ocorreu durante ações policiais, aponta relatório do Instituto Fogo Cruzado. 

Nenhuma pessoa baleada durante assaltos sobreviveu na região metropolitana de Belém em março. Ao todo, seis vítimas foram atingidas nesses crimes e todas morreram, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado.

Um dos casos é o do estudante universitário Arthur Eduardo Moraes dos Santos, de 19 anos, morto a tiros no bairro do Tapanã, em Belém. Ele retornava da academia de moto quando foi abordado durante uma tentativa de assalto, no dia 24. O episódio integra os sete casos de assaltos que terminaram em tiros na região metropolitana de Belém ao longo do mês, segundo relatório mensal divulgado pelo Instituto Fogo Cruzado.

Também no Tapanã, a morte do jovem João Carlos, durante uma ação policial da ROTAM, gerou protesto entre os moradores. A rodovia do Tapanã chegou a ser ocupada durante o ato. A região onde Arthur Eduardo e João Carlos foram baleados e mortos, teve o maior número de tiroteios mapeados ao longo do mês, com três registros.

Ao todo, março teve 37 tiroteios na região metropolitana de Belém, deixando 37 pessoas baleadas. Dessas, 30 morreram e sete ficaram feridas.

As ações policiais, como a que vitimou João Carlos, concentraram mais da metade dos registros (51%). Foram 19 casos envolvendo agentes de segurança que deixaram 18 pessoas baleadas, das quais 16 morreram.

Também chamou atenção o número de pessoas baleadas dentro de residências. Seis pessoas foram mortas em casa ao longo do mês, todos os casos ocorreram durante ações policiais.

“Quando tantos baleados deixam vítimas fatais ao longo de um mês, isso deixa de ser apenas um dado e passa a projetar um colapso em potencial na segurança pública. O governo do estado precisa responder com políticas concretas de inteligência e prevenção, evitando aprofundar ainda mais situações de risco”, avalia Eryck Batalha, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Pará.

Dados detalhados

Municípios

Entre os municípios que compõem a Região Metropolitana de Belém, a capital concentrou 59% dos registros. Os municípios afetados pela violência armada foram:

  • Belém: 22 tiroteios, 19 mortos e 7 feridos
  • Ananindeua: 8 tiroteios e 6 mortos e 3 feridos
  • Barcarena: 4 tiroteios e 4 mortos
  • Marituba: 2 tiroteios e 1 morto
  • Castanhal: 1 tiroteio

Bairros

Quatro entre os cinco bairros da região metropolitana de Belém que concentraram o maior número de tiroteios ao longo de março estão localizados na capital. Os mais afetados foram:

  • Tapanã (Belém): 3 tiroteios e 2 mortos
  • Cabanagem (Belém): 2 tiroteios e 3 mortos
  • Pedreira (Belém): 2 tiroteios e 3 mortos
  • Terra Firme (Belém): 2 tiroteios, 2 mortos e 2 feridos
  • Cidade Nova (Ananindeua): 2 tiroteios e 1 morto

SOBRE O FOGO CRUZADO

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.

Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 50 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife, de Salvador e de Belém.

Por meio de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado obtém e disponibiliza informações sobre tiroteios, verificados em tempo real, sendo o único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto ou dos relatórios produzidos mensalmente.

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