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A governadora do Pará, Hana Ghassan, promoveu dois delegados da Polícia Civil que são alvos de investigação do Ministério Público do Estado do Pará. Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho e Carlos Daniel Fernandes de Castro são suspeitos de cobrar propina de pessoas investigadas por eles próprios, além de envolvimento em fraudes financeiras, com suposta falsificação de documentos para obtenção de empréstimos bancários. As movimentações investigadas são estimadas em cerca de R$ 25,8 milhões. O caso ganhou repercussão nacional em janeiro deste ano, após reportagem exibida pelo Fantástico.

Mesmo com ambos ainda afastados das funções e com as investigações em curso, os delegados foram promovidos pela governadora, conforme decreto publicado no Diário Oficial do Estado no último dia 30 de abril. Arthur Nobre passou da classe “C” para a classe “D”. Já Carlos Daniel foi promovido à classe “Especial”, o topo da carreira. Em abril, Arthur Nobre recebeu salário bruto de R$ 31.474,88. Carlos Daniel teve remuneração bruta de R$ 44.543,78.

Embora a progressão na carreira policial possa seguir critérios legais próprios, em um caso que envolve suspeitas graves, afastamento funcional e investigação ainda não concluída, a promoção dos delegados transmite a percepção de impunidade.  Ao invés de esclarecer os fatos com celeridade, o Estado premia servidores sob suspeita.

Sobre o caso

O caso veio à tona a partir de um episódio aparentemente isolado: imagens de uma câmera de segurança registraram o momento em que um homem foi atropelado enquanto se exercitava em uma ciclofaixa, no fim da madrugada, em Belém. A vítima sobreviveu, o motorista foi identificado e a investigação acabou revelando indícios de um esquema muito mais amplo.

Segundo a investigação do Ministério Público do Estado, um delegado da Polícia Civil, um promotor de Justiça e um juiz do Tribunal de Justiça fariam parte de uma rede que atuava desde 2021, funcionando como uma espécie de “justiça paralela”. O grupo é suspeito de cobrar propina de investigados em troca de decisões, interferências ou encaminhamentos favoráveis.

O delegado Arthur Afonso Nobre de Araújo Sobrinho foi preso três vezes ao longo da investigação: em maio e agosto de 2024, e novamente em outubro de 2025. Ele também foi exonerado de um cargo de chefia e, posteriormente, obteve habeas corpus, passando a responder ao processo em liberdade. Carlos Daniel Fernandes de Castro, por sua vez, foi afastado das funções em outubro de 2024 e se tornou réu, acusado de participar do esquema e de favorecer a atuação do subordinado em troca de vantagens.

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