Sindicato afirma que unidades policiais em bairros como Guamá, Cremação, Terra Firme e Jurunas ficam sem atendimento no período norturno, deixando mais de 500 mil pessoas desassistidas. Foto: Reprodução

O Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Pará (Sindpol) tem realizado uma série de visitas a unidades policiais em Belém e no interior do estado para denunciar as condições de atendimento à população. Em vídeos divulgados pela entidade, dirigentes sindicais afirmam que a falta de efetivo tem provocado o fechamento de delegacias durante a noite, feriados e finais de semana, justamente em áreas populosas e com altos índices de violência.

Foram visitadas unidades localizadas em alguns dos bairros mais populosos de Belém, como Guamá, Cremação, Terra Firme e Jurunas. A entidade afirma que a situação é de abandono e que o fechamento das delegacias deixa mais de 500 mil pessoas desamparadas no atendimento policial.

“O crime não tira folga, mas a segurança pública, por omissão do Estado e da gestão da Polícia Civil, sim”, afirmou o presidente do sindicato, Ednaldo Santos.

Além das unidades de Belém, a diretoria executiva do Sindpol visitou delegacias em Santa Maria do Pará e Santa Isabel do Pará, e afirma ter recebido denúncias envolvendo a unidade policial de Oriximiná.

Em Santa Maria do Pará, o sindicato afirma que a situação chegou a um ponto considerado grave. Segundo a denúncia, um delegado que teria portaria para atuar no expediente instalou câmeras de monitoramento em diversos pontos da unidade policial e estaria realizando procedimentos à distância, de sua própria casa, acompanhando a rotina da delegacia por meio das câmeras. Ainda de acordo com o Sindpol, o delegado compareceria à unidade apenas às quartas-feiras.

A entidade também afirma que o mesmo delegado, apesar de não cumprir serviço regular na unidade de Santa Maria, estaria escalado para plantões remunerados na delegacia de Santa Isabel do Pará. O sindicato denuncia ainda que, em Santa Isabel, servidores administrativos estariam atuando em plantões remunerados sem serem policiais civis.

O Sindpol fez um alerta aos policiais civis sobre o uso indevido de senhas de acesso aos sistemas da Polícia Civil. Servidores não devem fornecer suas credenciais a terceiros, sob risco de também responderem por irregularidades. O sindicato informou que as denúncias serão levadas à Corregedoria.

Outra denúncia apresentada pela entidade envolve a delegacia de Oriximiná. Segundo o Sindpol, o delegado da unidade estaria há meses sem comparecer à delegacia e teria usado inteligência artificial para se autopromover em uma prisão realizada pela Polícia Militar. De acordo com o sindicato, uma imagem teria sido manipulada para fazer parecer que o delegado participou da ação. A entidade afirma que já comunicou o caso à Corregedoria Geral de Polícia.

Nas manifestações, o sindicato também se dirigiu à governadora Hana Ghassan e acusou a gestão da Polícia Civil de tentar maquiar a falta de servidores. Para a entidade, o Estado estaria aceitando soluções improvisadas, como “delegados remotos” e uso de inteligência artificial, em vez de enfrentar o problema estrutural da falta de efetivo.

O Sindpol afirma que a sobrecarga tem afetado diretamente os policiais civis, que trabalham cansados, e a população, que fica sem atendimento presencial em delegacias. Para a entidade, a situação revela a precarização da segurança pública no Pará e exige providências urgentes do governo estadual, da direção da Polícia Civil e dos órgãos de controle.

 

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