Reprodução de ilustração da internet.
Uma série de áudios vazados, divulgados pelo projeto Hondurasgate e pelo Diario Red América Latina, revelou uma operação internacional de desinformação e ingerência política voltada a desestabilizar governos progressistas na América Latina, especialmente os de Claudia Sheinbaum, no México, e Gustavo Petro, na Colômbia. O caso não teve nenhuma repercussão na mídia hegemônica brasileira.
Segundo as revelações, o ex-presidente de Honduras Juan Orlando Hernández, conhecido como JOH, aparece como figura central da articulação. Hernández governou Honduras entre 2014 e 2022 e foi condenado nos Estados Unidos, em 2024, a 45 anos de prisão por envolvimento com o narcotráfico. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, ele teria usado seu poder político para facilitar a entrada de mais de 400 toneladas de cocaína no território norte-americano. O ex-presidente hondurenho foi posteriormente indultado por Donald Trump, em dezembro de 2025.
Nos áudios atribuídos ao caso Hondurasgate, Hernández aparece discutindo a criação de uma espécie de “unidade de jornalismo digital” nos Estados Unidos. O objetivo seria produzir e espalhar conteúdos contra governos de esquerda da região, com foco em México, Colômbia e Honduras. As gravações apontam para uma tentativa de criar um canal de difusão de notícias falsas contra as gestões de Sheinbaum e Petro.
Uma das conversas reveladas cita o envio de US$ 350 mil pelo presidente da Argentina, Javier Milei, para montar a estrutura de comunicação. Em outro trecho, Hernández afirma que viriam “expedientes contra México” e “contra Colômbia”. As conversas teriam sido feitas por aplicativos como WhatsApp, Signal e Telegram entre janeiro e abril de 2026. Segundo o portal Hondurasgate, os 37 arquivos divulgados foram submetidos a análise forense por meio do protocolo Phonexia Voice Inspector.
As denúncias também citam apoio de setores ligados a Donald Trump e a Israel. Uma das linhas da investigação aponta que o indulto de Hernández teria sido parte de uma negociação política mais ampla, com participação de setores pró-Israel e influência do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, comentou o caso em sua conferência matutina. Segundo ela, a articulação faz parte de uma “direita internacional” ligada a grupos da Espanha, dos Estados Unidos e da Argentina, que atuaria por meio de redes de desinformação. “Podem montar uma oficina de campanhas sujas contra nosso governo em Honduras, com recursos de um povo amigo. Não vai haver impacto”, afirmou Sheinbaum, defendendo que seu governo seguirá “no marco da Constituição, das leis e do respeito à soberania”.
O conteúdo dos áudios é extremamente grave porque aponta para uma possível articulação internacional voltada a interferir na soberania de países da América Latina e desestabilizar governos legitimamente eleitos por meio de campanhas de desinformação e uso de recursos públicos. O Hondurasgate pode se tornar um dos maiores escândalos políticos recentes da região.








