Lula avança para acabar com jornada de trabalho de seis dias no Brasil, diz Financial Times no instagram. Foto do 1° de maio de 2026, em Belém/Crédito: Ponto de Pauta

Enquanto a grande mídia brasileira faz campanha contra o fim da escala 6×1, o Financial Times, um jornal británico voltado ao mercado financeiro, empresas e investidores publicou matéria, nesta semana, afirmando que a proposta do governo Lula de acabar com a escala de seis dias de trabalho busca aproximar o Brasil dos padrões de trabalho de boa parte dos países ocidentais, onde jornadas mais curtas e dois dias de descanso semanal já são mais comuns.

O texto destaca que, enquanto alguns países discutem até semana de quatro dias em meio ao avanço da inteligência artificial, o Brasil ainda tenta reduzir a jornada de milhões de trabalhadores de seis para cinco dias por semana.

Segundo o FT, a proposta prevê reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem corte de salário. Pelas estimativas citadas na reportagem, até 37 milhões de trabalhadores poderiam ser beneficiados pela redução da carga horária.

A reportagem também aponta que o governo defende a medida como uma forma de melhorar a qualidade de vida, fortalecer vínculos familiares, garantir mais tempo livre e melhorar a saúde dos trabalhadores. Trabalhadores mais descansados tendem a ter melhor desempenho, além de mais tempo para lazer, cuidado pessoal e convivência familiar.

O jornal britânico compara o Brasil com outros países e lembra que, em 2023, os brasileiros trabalharam em média quase 2 mil horas por ano, cerca de 50% a mais do que os alemães, segundo dados do Our World in Data citados na reportagem. O FT também menciona que países como Chile e Colômbia já caminham para reduzir gradualmente suas jornadas.

Apesar do amplo apoio popular, a reportagem cita uma pesquisa Datafolha em que sete em cada dez entrevistados apoiam a mudança, o Financial Times avalia que a aprovação no Congresso não está garantida. O texto destaca a resistência de setores empresariais e de parlamentares conservadores, que alegam risco de aumento de custos, perda de empregos e impacto sobre a economia.

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