Deputada Lívia Duarte. Foto: Marcos Barbosa

Nesta terça-feira, 2 de junho, a Assembleia Legislativa do Pará aprovou o Projeto de Lei Complementar (PLC) 6/2026, de autoria da governadora Hana Ghassan, que cria a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais, Roubo e Furto de Gado (Deleagro) a ser instalada nos municípios de Xinguara e Soure. Lívia Duarte (PSOL) foi a única a votar contra a proposta, alegando que a nova delegacia servirá para perseguir e criminalizar os movimentos sociais.

Em pronunciamento na tribuna da Alepa, Lívia Duarte alertou que o estado do Pará já conta com quatro delegacias agrárias para dirimir conflitos no campo. Elas estão localizadas nos municípios de Altamira, Santarém, Marabá e Redenção. Ainda, chamou a atenção da deputada o fato de outras delegacias terem sido criadas por meio de portarias do Executivo e não de projetos de lei votados pelo Legislativo, como foi feito em relação à Deleagro.

Além disso, o texto do PLC afirma que a Deleagro servirá para combater organizações criminosas no campo. “Essa nova delegacia não será para combater roubo de boi. Será para bater em sem-terra, em sem-teto, em pobre, em quem não tem onde morar e nem onde produzir. Estão criando um outro aparato policial, a delegacia do agro, a Deleagro, que não fazem questão de esconder nem no nome para que serve”, alertou.

Lívia Duarte lembrou que, há um mês, a Polícia Militar, da qual Hana Ghassan detémo comando, cometeu o ato ilegal de retirar trabalhadores sem-terra que ocupavam terra pública destinada à reforma agraria pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Marabá, favorecendo grileiros instalados na área.

“Eu tenho vergonha de um projeto como esse. O voto desta deputada não contarão nunca para isso”, concluiu a deputada do PSOL.

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