O que está por trás do interesse da mídia corporativa em requentar a arenga que há tempos agita o clã do ex-presidente? Fotos: Reprodução
Por Aldenor Junior
Quando uma não-notícia ocupa espaço nobre na imprensa é preciso ficar alerta para o que está por trás da manobra.
A arenga familiar que abala o clã Bolsonaro não é novidade. Que a atual primeira-dama é odiada por seus enteados é um fato banhado em naftalina.
Então, por que abrir manchetes para um vídeo de Michele acusando o filho 01 de ter a maltratado, desrespeitado e agido com rispidez?
Onde está o interesse jornalístico em apresentar essa história velha como algo digno de manchetes?
As causas podem estar para além dos muros da mansão que abriga o ex-presidente e atualmente presidiário em regime domiciliar humanitário Jair Bolsonaro e sua esposa (aliás, hoje vence o prazo dessa concessão extraordinária que o STF aprovou em nome do tratamento de saúde do condenado, que, entretanto, está envolvido em um pouco explicado caso de manter em sua propriedade uma pistola de uso privativo para sabe-se lá o quê, razão pela qual poderá retornar às instalações carcerárias do DF, a chamada Papudinha).
Trazer Michele ao centro da ribalta no momento em que a candidatura do enteado ainda sofre o desgaste de seu envolvimento no escândalo do Master pode representar o interesse de parte das elites econômicas de manter viva a esperança de uma virada de mesa até a convenção do PL, marcada para o final do próximo mês. Essa é a aposta que mais parece fazer sentido.
A verdade é que Michele não desistiu da luta. Ela sabe de seu potencial e há quem acredite que ela teria capacidade de enfrentar Lula em melhores condições do que seu enteado e adversário interno.
Evangélica de verdade, ela parece ter fé no que lhe está reservado mais adiante. Se Flávio naufragar vítima de uma segunda onda de denúncias de suas falacatruas com Vorcaro e companhia, eis que a missionária poderá ressurgir das cinzas.
Como se diz, no Brasil ninguém morre de tédio.
Aldenor Junior é jornalista.








