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Pouco depois de Belém sentir os reflexos do terremoto que atingiu a Venezuela e o Peru na noite desta quarta-feira (24), o prefeito Igor Normando (PSDB) foi às redes sociais para tentar mostrar serviço. “Seguimos monitorando a situação e adotando todas as medidas necessárias para garantir a segurança da nossa população”, publicou, num esforço para transmitir uma imagem de controle e preparação que contrasta fortemente com o improviso de sua administração.
A declaração, no entanto, foi imediatamente contestada pela vereadora Vivi Reis (Psol), que questionou a capacidade de resposta da Prefeitura a emergências, lembrando do desmonte do Comitê de Riscos e Desastres, promovido pela gestão do agora tucano. “Os reflexos do terremoto na Venezuela sentidos em Belém levantam, mais uma vez, a dúvida sobre a capacidade de resposta da Prefeitura a emergências e de emitir alertas a tempo, ainda mais depois que Igor Normando retirou instituições de pesquisa e monitoramento do Comitê Gestor de Riscos e Desastres do Município”, afirmou a parlamentar.
No mês de maio, projeto enviado por Igor e aprovado por maioria na Câmara, excluiu do comitê instituições técnicas-científicas da Amazônia, como a Ufpa, a Universidade do Estado do Pará (Uepa), a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), além de entidades da sociedade civil, como os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Crea-PA) e de Arquitetura e Urbanismo (Cau-PA), e até mesmo pastas da própria prefeitura, como as secretarias de Urbanismo (Seurb), Saneamento (Sesan) e Habitação (Sehab).
Curioso notar que Igor Normando não se compromete da mesma forma a resolver os problemas reais e cotidianos da cidade. Belém convive com alagamentos a cada chuva mais forte, obras de infraestrutura paralisadas e famílias que ainda aguardam o auxílio prometido pela Prefeitura de Belém. Na saúde pública, que atravessa a mais grave crise de sua história, paralisações de categorias profissionais por falta de pagamento, precariedade no atendimento e denúncias recorrentes de abandono em unidades municipais.
Na Venezuela, o terremoto deixou destruição e, até o momento, 164 mortes. Felizmente, em Belém, os tremores não tiveram consequências graves. Ainda assim, o episódio deve servir de alerta de que não se protege a população com postagens ns redes sociais, mas com planejamento, ciência, prevenção e medidas concretas diante da realidade da cidade.








