Fotos: Reprodução Fifa
Por Luiz Arnaldo Campos
“No estádio Azteca cairá a pérfida Albion”. Assim vaticinou um amigo mexicano, logo após a vitória inglesa sobre a Costa do Marfim, se referindo à Inglaterra com a denominação criada pela Revolução Francesa.
Como sabemos não foi assim. Ontem, o selecionado inglês e antes dele o da Noruega, dois países com a conquista e a pirataria no sangue, triunfaram sobre os escretes do México e do Brasil.
Do ponto de vista da arquibancada, apesar da imensa maioria de brasileiros, em Nova Jérsei e de mexicanos, na sua própria capital, as derrotas foram diferentes. O México caiu cantando, o Brasil em silencio. A torcida brasileira foi incapaz de inventar algo em contraposição à ancestral remada viking, revelando o mesmo mal detectado por Sartre quando foi palestrar numa Universidade brasileira, nos anos 60. Na ocasião, o filósofo francês depois de fitar a plateia perguntou: aonde estão os negros?
A mesma pergunta qualquer um poderia fazer ontem ao mirar a arquibancada do Brasil. Na verdade, os ingressos a dois mil reais mais as despesas de viagem fizeram da nossa torcida algo bem diferente das que acompanham o Vasco, o Flamengo, Payssandu, Remo ou qualquer outro grande clube de massa do Brasil. E é este povo barrado dos estádios, que sabe cantar, torcer e transmitir ao time a força vital que transforma a derrota em vitória. Na sua ausência tudo é muito mais difícil.
Para a seleção do México isto não faltou. Pelo contrário, a paixão dos astecas fez o velho estádio tremer. Foi comovente e emocionante. Empurrou o time e quase triunfou. Não conseguiu porque o futebol é trágico. Dizem que Obdúlio Varela, o lendário comandante da vitória do Uruguai sobre o Brasil, na decisão da Copa de 50, em pleno Maracanã, declarou cinquenta anos depois, que se pudesse voltar no tempo, marcaria propositalmente um gol contra seu próprio time. E arrematou; “o futebol não tem o direito de criar tragédias como esta”.
Em países, como o Brasil, onde o futebol está associado ao destino nacional, uma tragédia pode puxar novas tragédias? Mirando a batalha eleitoral que se aproxima nos resta respirar fundo, arregaçar as mangas, virar torcida de massa e derrotar o inimigo. Afinal de contas, diz o velho adágio: Azar no jogo, sorte no amor.
Luiz Arnaldo Campos é Cineasta e Escritor.








