Nota de repúdio afirma que intervenção financiada pelo Ministério das Cidades e executada pelo Governo do Pará estaria provocando derrubada de árvores e comprometendo áreas verdes essenciais para a população da bacia do Tucunduba. Fotos: Reprodução

Coletivos, lideranças comunitárias e moradores da Bacia do Tucunduba, que compõem o Movimento Tucunduba Pró Lago Verde, divulgaram uma nota pública de repúdio denunciando o que classificam como uma grave degradação ambiental provocada pelas obras de implantação do Parque Linear às margens do rio Tucunduba, em Belém. Segundo eles, a intervenção estaria resultando na derrubada de diversas árvores por meio do uso de maquinário pesado, comprometendo áreas verdes consideradas fundamentais para a proteção da biodiversidade, a redução da temperatura e a qualidade de vida da população.

A nota também aponta que a intervenção aprofunda desigualdades socioambientais. Para os moradores, os impactos recaem principalmente sobre comunidades periféricas que dependem diretamente das áreas verdes para amenizar o calor, reduzir alagamentos e preservar o equilíbrio ambiental da região. O movimento classifica a situação como um caso de racismo ambiental, ao afirmar que territórios historicamente vulnerabilizados acabam suportando os maiores prejuízos decorrentes de grandes obras públicas.

Outro ponto destacado é a ausência de participação efetiva da população nas decisões sobre a intervenção. Os moradores defendem que projetos urbanos dessa dimensão precisam ser construídos com diálogo, transparência e respeito às comunidades diretamente afetadas, especialmente quando envolvem alterações significativas em áreas ambientalmente sensíveis.

Confira a nota completa:

NOTA DE REPÚDIO

Os coletivos, lideranças comunitárias e moradores da bacia do Tucunduba manifestam publicamente seu mais veemente repúdio à grave degradação ambiental que vem ocorrendo nas margens do rio Tucunduba em decorrência das obras de implantação do Parque Linear.

A obra, financiada pelo Ministério das Cidades e executada pelo Governo do Estado do Pará, tem provocado a derrubada de diversas árvores por meio do uso de maquinário pesado, comprometendo áreas verdes fundamentais para o equilíbrio ambiental, a redução da temperatura, a proteção da biodiversidade e a qualidade de vida da população.

É profundamente contraditório que um projeto apresentado como um parque ambiental resulte na destruição da vegetação existente. A cidade de Belém sediou debates internacionais sobre mudanças climáticas durante a COP30 e, ao longo de décadas, movimentos sociais, universidades e organizações comunitárias realizaram ações de recuperação ambiental, plantio de árvores e educação ambiental nas margens do Tucunduba, contribuindo para a preservação desse importante patrimônio natural e para o enfrentamento das mudanças climáticas.

Além da perda ambiental, essa intervenção evidencia uma grave situação de racismo ambiental, uma vez que os impactos negativos recaem, principalmente, sobre comunidades periféricas e historicamente vulnerabilizadas, que dependem diretamente das áreas verdes para amenizar o calor, reduzir alagamentos, preservar a biodiversidade e garantir melhores condições de saúde e bem-estar. Enquanto outros territórios recebem investimentos voltados à qualificação ambiental, as populações da Bacia do Tucunduba são submetidas à supressão de árvores, sem participação efetiva nas decisões que afetam nossa comunidade.

Não vamos aceitar obras como esta em nosso território.
RESPEITEM O NOSSO RIO. RESPEITEM A NOSSA HISTÓRIA.

 

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