Fotos: Vídeoreprodução

Não é só no plano nacional, com as brigas de Flávio e Michele Bolsonaro, que o Partido Liberal está em guerra interna. No Pará, a crise entre o deputado Éder Mauro e o vereador de Belém, Zezinho Lima, ambos do PL, escalou nesta semana, com acusações de lado a lado. Zezinho acusa o deputado de corrupção com emendas parlamentares da saúde, lavagem de dinheiro e grave ameaça contra o denunciante; já Éder Mauro acusa Zezinho de denunciação caluniosa.

Zezinho afirma ter ido até a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República com um pen drive que, segundo ele, contém provas dos supostos desvios. Éder Mauro disse ter protocolado um pedido de apuração sobre as denúncias que considera falsas. O parlamentar, entretanto, não informou em qual órgão o documento foi apresentado.

Os dois parlamentares, acostumados à violência como instrumento da política nos espaços legislativos, expõem as vísceras de um grupo político que, nacionalmente, enfrenta uma sucessão de escândalos marcados por disputas internas, denúncias de corrupção e de envolvimento com grupos criminosos, como recentemente, com o Banco Master. A gravidade das acusações feitas no Pará exige apuração com independência pelas autoridades competentes.

Entenda 

Nesta quarta-feira (22), o deputado federal Éder Mauro (PL) afirmou ser alvo de uma articulação destinada a atacar sua reputação e prejudicar sua pré-candidatura. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar declarou que um homem identificado como Lucas Rego de Brito teria recebido uma proposta de R$ 100 mil para apresentar uma denúncia falsa contra ele.

Éder Mauro exibiu comprovantes de pagamentos que, segundo afirmou, estariam vinculados à irmã do vereador Zezinho Lima e a John Wayne (MDB), presidente da Câmara Municipal de Belém. O deputado também divulgou capturas de tela de supostas conversas pelo WhatsApp entre Lucas e Zezinho.

No vídeo, Éder Mauro classificou Zezinho, que também integra o PL, como “um cavalo de Troia” e “um dos vários integrantes da direita barbalhista”. Não é a primeira vez que o vereador é acusado por integrantes do próprio partido de se aproximar do barbalhismo.

No início do ano, durante a primeira sessão da Câmara de Belém, o vereador Mayky Vilaça (PL), aliado de Éder Mauro, afirmou que Zezinho teria abandonado a oposição após receber R$ 500 mil para apoiar o governo do prefeito Igor Normando. Zezinho foi o autor do projeto que extinguiu o programa Bora Belém. A proposta foi aprovada pela Câmara e não foi vetada pelo prefeito, apesar da promessa feita durante a campanha eleitoral de manter o benefício.

Zezinho diz que o denunciante seria assessor de Mayky 

Zezinho declarou que Lucas, citado pelo deputado, teria trabalhado como assessor de Mayky Vilaça e seria utilizado como “mula” para manter dinheiro em sua conta bancária. Em vídeo, Zezinho apresentou informações que, conforme sua versão, indicariam incompatibilidade entre o salário de Lucas, e a movimentação de cerca de R$ 1 milhão em sua conta.

Zezinho também republicou o vídeo gravado por Lucas, cujo conteúdo foi classificado como falso por Éder Mauro. Na gravação, Lucas afirma estar sendo ameaçado por Deyje Vilaça, irmão do vereador Mayky Vilaça. Deyje foi baleado em maio de 2025, durante uma suposta tentativa de assalto. Na época, ele era presidente do PL em Belém e assessor do deputado federal Éder Mauro.

Segundo Zezinho, Lucas estaria escondido no Ceará. O vereador também acusou Éder Mauro de exigir entre 20% e 30% dos recursos das emendas destinadas a determinadas instituições e localidades.

De acordo com o Diário Oficial da Câmara Municipal de Belém, Lucas foi nomeado assessor de Mayky Vilaça em maio de 2025, com efeitos retroativos a 1º de janeiro daquele ano, para um cargo de nível 6, cujo salário era R$ 3.420,00. A exoneração foi publicada em maio de 2026, com efeito retroativo a 31 de outubro de 2025. (veja abaixo)

PL anuncia apuração

Em nota, o Diretório Estadual do Partido Liberal no Pará informou que acompanha “com preocupação” os acontecimentos envolvendo os parlamentares e que já iniciou uma apuração interna.

Até o momento, a direção nacional do PL não se pronunciou publicamente sobre o caso.

Publicação da nomeação de Lucas Rego de Brito


Publicação da exoneração de Lucas Rego de Brito

Deixe um comentário