A cada dia, sem trégua, Israel segue implantando a solução final contra o povo palestino. Foto: Embaixada da Palestina no Brasil

Por Aldenor Junior

Prevalece um enorme manto de silêncio e cumplicidade sobre o holocausto palestino. Não apenas em Gaza, dizimada até o último palmo dessa terra milenar.

Mas na Cisjordânia e em Jerusalém, com requintes de crueldade que escalam os períodos mais sangrentos e destrutivos em quase oito décadas de criação do Estado de Israel sobre um território que sempre, desde os primórdios, pertenceu aos árabes palestinos, não importando a religião que professassem.

Quem grita – e quase ninguém dá atenção – é o insuspeito porta-voz do UNICEF, James Elder, em conferência de imprensa, concedida em Genebra, em 19 de junho deste ano:

“Desde que o cessar-fogo foi anunciado em outubro de 2025, 265 crianças palestinas foram mortas em Gaza. Esse é um número absurdo e devastador. Durante um período supostamente definido por contenção e proteção, uma criança foi morta, em média, todos os dias, por mais de oito meses.”

Sua indignação deveria produzir um tsunami de revolta. Porém, caiu no vazio. São vidas descartáveis, sem importância para um mundo capturado pela lógica da necropolítica sustentada pelos Estados Unidos.

Israel deveria ser tratado como um Estado terrorista, que é sua essência mais visível e cruel. O mundo deveria lhe virar as costas, promovendo o mesmo isolamento que foi fundamental para a queda do imoral regime de Apartheid na África do Sul, há décadas quando ainda existia, com todas as fragilidades, uma comunidade internacional que tentava, aos trancos e barrancos, aprender com as terríveis lições das tragédias provocadas pelo nazi-fascismo na primeira metade do século XX.

Haverá sempre quem relativize a barbárie e aponte o dedo contra as vítimas, negando o direito que todo ser humano tem de se rebelar contra a opressão (aliás, este direito está consagrado na Carta das Nações Unidas, que a gestão Trump faz questão de pisotear todos os dias).

Levantar a voz em favor dos palestinos é um dever ético que deveria estar acima de ideologias e preferências partidárias.

Que o povo palestino sobreviva para um dia cobrar a criminosa cumplicidade dos estados que tinham a capacidade de defender seu direito à existência, mas preferiram dar as mãos a seus carrascos genocidas.

Aldenor Junior é jornalista.

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