Homem de 37 anos é investigado por participar de grupos que compartilhavam vídeos de violência sexual contra mulheres desacordadas e informações sobre substâncias sedativas. Foto: PF cumpriu mandados em fevereiro deste ano, dentro da mesma operação. Polícia Federal/Reprodução  

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (28), em Castanhal, no nordeste do Pará, um homem de 37 anos suspeito de abusar sexualmente da própria esposa enquanto ela estava sedada. A prisão faz parte da terceira fase da Operação Somnus, que investiga uma rede de compartilhamento de registros de violência sexual contra mulheres desacordadas.

No Pará, foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão. Durante a operação, os agentes recolheram medicamentos, celulares e computadores, que serão submetidos à perícia.

Segundo a investigação, os suspeitos participavam de grupos na internet usados para trocar fotografias e vídeos de mulheres vítimas de violência sexual enquanto estavam inconscientes.

Os participantes também compartilhavam informações sobre substâncias com propriedades sedativas e formas de utilização dos medicamentos para cometer e registrar os abusos. As conversas aconteciam em sites e aplicativos de mensagens, entre eles o Telegram.

Além do investigado preso em Castanhal, um homem de 29 anos foi preso em São Leopoldo, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ele é suspeito de abusar da própria irmã e de uma prima.

Investigação começou com alerta internacional

A Operação Somnus teve início em 2025, depois que informações da Polícia Criminal da Alemanha (BKA) chegaram às autoridades brasileiras por meio de uma cooperação internacional coordenada pela Europol.

Os dados apontavam a existência de redes transnacionais destinadas à produção, divulgação e troca de registros de abusos sexuais cometidos contra mulheres sedadas.

Com a operação desta terça-feira, a investigação já resultou em cinco prisões e quatro mandados de busca e apreensão.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder por estupro de vulnerável, divulgação de cena de estupro ou de estupro de vulnerável e registro não autorizado da intimidade sexual, além de outros crimes que eventualmente sejam identificados.

Crime ganhou repercussão mundial com caso Pelicot

A violência sexual praticada mediante sedação ganhou repercussão mundial nos últimos anos com o caso da francesa Gisèle Pelicot.

Durante quase uma década, o então marido dela, Dominique Pelicot, colocou medicamentos sedativos na alimentação da esposa sem que ela soubesse e a estuprou enquanto estava inconsciente. Ele também recrutava homens pela internet para que fossem até a residência do casal e abusassem sexualmente dela.

Em dezembro de 2024, ele foi condenado a 20 anos de prisão. Outros 50 réus também foram considerados culpados por estupro, tentativa de estupro ou agressão sexual.

O crime teve consequências também na legislação francesa. Em 2025, o país alterou sua definição legal de estupro para incluir expressamente o conceito de consentimento.

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