Estado liderou a derrubada de floresta entre agosto de 2025 e junho de 2026 e concentrou cinco das oito áreas protegidas mais desmatadas no primeiro semestre. (Foto: Imagem de 2020 já mostrava área de garimpo ilegal na APA Triunfo do Xingu em 2020 – Crédito: Semas/PA)

O desmatamento na Amazônia caiu nos primeiros meses de 2026 e atingiu o menor nível para um primeiro semestre em oito anos. Apesar do resultado positivo no conjunto da região, o Pará aparece como o principal destaque negativo, como o estado com a maior área de floresta derrubada e que concentrou as unidades de conservação mais pressionadas pela devastação.

Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, instituto que monitora a Amazônia por imagens de satélite desde 2008.

Entre janeiro e junho de 2026, foram derrubados 1.145 km² de floresta na Amazônia, redução de 10% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado também ficou 76% abaixo do registrado em 2022, quando houve o maior desmatamento para um primeiro semestre desde o início do monitoramento.

Pará lidera desmatamento na Amazônia

No chamado calendário do desmatamento, que vai de agosto de um ano a julho do seguinte, o Pará liderou a derrubada de floresta, Foram desmatados 684 km² no território paraense entre agosto de 2025 e junho de 2026. Em seguida aparecem Mato Grosso, com 509 km², e Amazonas, com 378 km².

Gráfico: Imazon

Embora o Pará tenha registrado redução de 36% em relação ao período anterior, quando foram desmatados 1.072 km², continuou apresentando a maior área absoluta de floresta derrubada entre os nove estados da Amazônia Legal.

Segundo o Imazon, Pará, Mato Grosso e Amazonas possuem extensas áreas florestais e precisam fortalecer as ações de fiscalização e responsabilização para evitar novas derrubadas.

APA Triunfo do Xingu concentrou metade da devastação

Mais de 80% das unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia não registraram desmatamento entre janeiro e junho. Foram 588 territórios sem derrubadas, sendo 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação.

Apesar disso, a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, no Pará, respondeu sozinha por praticamente metade de todo o desmatamento registrado em áreas protegidas da Amazônia no primeiro semestre.

O território perdeu 47,85 km² de floresta, o equivalente a quase 5 mil campos de futebol. Em média, foram derrubados aproximadamente 25 campos de futebol por dia.

A APA Triunfo do Xingu teve quase quatro vezes mais desmatamento que a segunda colocada no levantamento, a Floresta Nacional de Altamira, também no Pará, onde foram destruídos 12,51 km².

Gráfico: Imazon

Das oito áreas protegidas que registraram desmatamento superior a 1 km² no primeiro semestre, cinco estão integral ou parcialmente no Pará.

Além da APA Triunfo do Xingu e da Flona de Altamira, aparecem na lista:

  • APA do Tapajós, com 4,01 km²;
  • Floresta Nacional do Jamanxim, com 3,45 km²;
  • APA do Lago de Tucuruí, com 1,41 km²;
  • APA das Reentrâncias Maranhenses, localizada entre Pará e Maranhão, com 1,32 km².

No total, as áreas protegidas da Amazônia registraram 97,37 km² de desmatamento no primeiro semestre, sendo 87,99 km² em unidades de conservação e 9,38 km² em terras indígenas.

A Floresta Nacional do Jamanxim, no sudoeste do Pará, foi a quinta unidade de conservação mais desmatada da Amazônia no período.

Foram derrubados 3,45 km² de floresta entre janeiro e junho, área equivalente a quase 350 campos de futebol.

O território ganhou destaque nacional após o Senado aprovar um projeto de lei que reduz os limites da unidade de conservação. A proposta retira áreas protegidas e beneficia ocupações realizadas após a criação da floresta nacional, em 2006.

Para a coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, Brenda Brito, a medida favorece grupos que ocuparam ilegalmente o território.

“As unidades de conservação são importantíssimas para conter o desmatamento e combater a crise climática. Por isso, esse projeto precisa ser vetado pela Presidência”, afirmou.

Degradação também caiu

Além do desmatamento, o Imazon identificou redução na degradação florestal, provocada principalmente por queimadas e exploração de madeira.

Em junho, a área degradada caiu 55%, passando de 207 km² em 2025 para 94 km² em 2026.

No acumulado de janeiro a junho, a redução chegou a 86%. Já entre agosto de 2025 e junho de 2026, a queda foi de 93%.

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