Especialistas de referência nacional aderem ao movimento que cobra do prefeito Igor Normando a reconstrução institucional do MABE e denunciam risco ao patrimônio cultural da Amazônia. Foto: Reprodução

Pesquisadores, artistas, museólogos, arquitetos e professores de referência na área do patrimônio cultural estão fortalecendo a mobilização em defesa do Museu de Arte de Belém (MABE). Em vídeos divulgados nas redes sociais do movimento (@omabepedesocorro), os especialistas manifestam preocupação com a situação da instituição após sua retirada do organograma da Secretaria Municipal de Cultura (Semcult) durante a gestão do prefeito Igor Normando (MDB).

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Entre os apoiadores estão o artista, pesquisador em arte e fotografia e Prof. Dr. em Artes, Mariano Klautau Filho; a artista visual Elieni Tenório, nascida em Mazagão (AP); o artista paraense Werne Souza; a curadora e crítica de arte Marisa Mokarzel, doutora em Sociologia e professora da Universidade da Amazônia; o artista visual Geraldo Teixeira; a museóloga e antropóloga Lúcia Hussak van Velthem, pesquisadora emérita do Museu Paraense Emílio Goeldi e diretora do MABE entre 1997 e 2001; a arquiteta e urbanista Jussara Derenji, que participou da criação do Museu de Arte de Belém quando dirigia o antigo Departamento de Patrimônio Histórico da Fumbel, entre outros.

Klautau lembra que o MABE foi reaberto em janeiro de 2024, depois de uma reforma completa do Palácio, e após quase sete anos fechado, e que a situação pela qual passa o museu é consequência da chamada “reforma administrativa” que extinguiu a Fundação Cultural de Belém (Fumbel), do qual o MABE era um Departamento.

“Extinguiu com uma canetada, irresponsável e autoritária. Em 40 dias de governo, a atual gestão extinguiu um museu que existia há 31 anos Em 40 dias de governo, a atual gestão fez desaparecer um museu cujo acervo teve 126 anos para ser construído. É preciso que a nossa comunidade impeça esse crime contra o patrimônio cultural e artístico do nosso Estado”, disse o professor.

Os depoimentos reforçam o abaixo-assinado lançado recentemente por pesquisadores, trabalhadores da cultura e cidadãos, que pede a reconstrução institucional do museu e alerta para os riscos de enfraquecimento de uma das principais instituições museológicas da Amazônia.

Instalado no histórico Palácio Antônio Lemos, o MABE abriga um acervo de mais de dois mil bens culturais, entre pinturas, esculturas, fotografias, mobiliário histórico e objetos que registram parte da história artística e social do Pará.

A retirada do museu da estrutura administrativa da Secult fragilizou sua autonomia institucional, reduziu equipes técnicas especializadas e colocou em risco atividades essenciais de conservação, pesquisa e preservação do patrimônio.

O movimento cobra a imediata reestruturação do museu, sua reintegração ao organograma da administração cultural do município, a recomposição do quadro técnico, a realização de concurso público para áreas especializadas, a reabertura da biblioteca, além da elaboração de um plano permanente de conservação e gestão museológica.

O MABE é uma instituição estratégica para a preservação da memória artística e histórica da Amazônia e sua proteção representa um dever legal do poder público e um compromisso com as futuras gerações.

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