Partidos da base de Helder e Hana se revezam em cenas de bajulação explícita enquanto o poder de decisão segue onde sempre esteve: nas mãos do chefe e senhor desses amplos domínios imperiais. Foto: Reprodução

Por Aldenor Junior 

Quando a noite descer sobre a capital paraense, neste sábado (1°), provavelmente a decisão mais aguardada da atual fase das convenções partidárias será tornada pública.

Finalmente, a família Barbalho anunciará seu escolhido para compor a chapa com a atual governadora Hana Ghassan. E o édito talvez surpreenda zero pessoas.

O ungido tende a ser o deputado Dirceu Ten Caten, do PT, exposto a meses de desgaste enquanto os era levado em banho Maria pela cúpula emedebista.

Por que uma decisão tomada há meses permaneceu escondida até a 25a hora?

Por que, segundo fontes autorizadas, a confirmação foi dada há mais de 10 dias e mesmo assim o ex-governador Helder se manteve em silêncio mesmo diante da crescente pressão por parte de segmentos de sua base identificados com a extrema direita, tais como evangélicos e líderes do segmento empresarial?

Uma hipótese é o desejo de evitar maiores desgastes, apostando no fato consumado.

Depois da convenção deste sábado, os descontentes deverão enrolar suas bandeiras e engolir o choro. Essa é aposta.

Outra possibilidade é que tudo não passe da reiteração da arrogância. O poder está tão ultra concentrado em Helder que ele se julga detentor da capacidade de humilhar em praça pública seus próprios aliados, crente na inevitável submissão de seus súditos, todos rendidos diante da luminosidade que emana do trono do Rei-Sol dessa Amazônia degradada.

Quem sobreviver a este sábado ensolarado, certamente verá a exibição do última parte dessa ópera um tanto bufa e, com certeza, de muito mau gosto.

Aldenor Junior é jornalista.

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