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Professor há mais de 20 anos e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação Pública do Estado do Pará (SINTEPP), Beto Andrade contestou declarações do ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB) em meio às críticas sobre a qualidade da educação pública no estado.
Na última semana, foram divulgados os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referentes a 2025 e, apesar do crescimento da nota paraense, o estado perdeu três posições no ranking nacional. Ao reagir aos questionamentos, Helder afirmou que os críticos estariam entre aqueles que “torcem contra o Pará”. Beto rebateu: “Dizer a verdade é torcer contra o Pará?”.
O Ideb combina dois componentes: o desempenho dos estudantes em português e matemática, medido por uma prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), e o fluxo escolar, calculado a partir das taxas de aprovação. Isso significa que uma rede de ensino pode registrar crescimento no índice mesmo quando a evolução do desempenho dos estudantes nas avaliações é pequena.
Em 2023, o Pará registrou uma mudança incomum no Ideb do ensino médio, saindo da penúltima colocação para o sexto lugar entre as redes estaduais. Educadores e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação atribuíram parte desse avanço à alteração no sistema de avaliação da rede estadual, com a adoção de um modelo organizado por ciclos. No ensino médio, os estudantes passaram a poder ser reprovados apenas ao final do terceiro ano.
Para Beto Andrade, o Ideb, isoladamente, não é suficiente para retratar a qualidade da educação oferecida no estado. O professor chama atenção para outros fatores que, segundo ele, precisam entrar nessa avaliação, como as condições estruturais das escolas, a falta de profissionais em diferentes áreas e a valorização da carreira dos trabalhadores da educação.
“Das mil escolas que temos no estado, cerca de 800 precisam de reformas, passam por problemas estruturais severos ou moderados. E, para melhorar de fato os índices, precisamos ter melhoria do aprendizado também. Isso passa por condições de trabalho, valorização, autonomia docente e pelo fim do assédio nas escolas”, afirmou.
O professor também defendeu que a discussão sobre os indicadores educacionais seja acompanhada de mais investimentos e de políticas de valorização da escola pública.
“Não somente torço pelo Pará, mas educo e luto todos os dias para que a escola pública se realize, para que ela seja um espaço de educação em que a nossa população e nossos estudantes tenham uma perspectiva de futuro, tenham consciência, para que possamos nos libertar, inclusive, dessas oligarquias que tanto mal fazem ao nosso estado. Nós precisamos valorizar a educação para que melhoremos os índices, e isso tem a ver com muito mais investimento e com respeito à escola pública”, concluiu Beto.








