Igor elogiou combate à pobreza de Lula enquanto Belém vê crescer população de rua. Foto: Reprodução

Vaiado do início ao fim de seu discurso durante o comício de Lula em Belém, nesta segunda-feira (28), na Praça da República, Igor Normando (PSDB) sentiu no palanque o peso da rejeição à sua gestão, marcada desde que assumiu, por medidas de desmonte e precarização de serviços públicos e pelo avanço da privatização sobre áreas fundamentais da administração municipal.

Ainda assim, Igor decidiu exaltar as políticas de combate à pobreza do presidente Lula, que tirou o Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) duas vezes, em 2014 e em 2025. Em Belém, a gestão de Igor tem adotado medidas que caminham no sentido oposto.

A população em situação de rua registrada em Belém cresceu 55,1% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O número saltou de 1.474 para 2.286 pessoas em apenas um ano. Os dados são do Cadastro Único disponibilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). Comparando o número de pessoas na linha da pobreza em Belém, entre os anos de 2021 e 2023, houve uma redução de 47%, passando de 608 mil para 322 mil pessoas.

Esse aumento é reflexo direto do desmonte das políticas de assistência social e do serviço público na capital paraense. Além do fim do Bora Belém, que garantia uma renda básica a cerca de 80 mil pessoas, a redução do efetivo de servidores na Funpapa vem ocasionando a perda dos benefícios sociais, como BPC e Bolsa Família, cujos beneficiários precisam periodicamente realizar um recadastramento para manutenção dos recursos.

Além da extinção do Bora Belém, que garantia renda básica cerca de 18 mil famílias em situação de extrema vulnerabilidade social, a redução do efetivo de servidores da Funpapa tem comprometido o atendimento à população e dificultado o acesso e a manutenção de benefícios sociais, como o BPC e o Bolsa Família, que exigem atualização periódica do Cadastro Único.

Para quem vive nas ruas, o cenário é ainda mais grave. A gestão Igor Normando já foi acionada judicialmente diversas vezes diante da precariedade da rede de acolhimento e da insuficiência das políticas destinadas a essa população. Ministério Público e Defensoria têm recorrido à Justiça para cobrar melhores condições e ampliação dos abrigos, além da garantia de atendimento adequado à saúde para esta população. A atuação dos órgãos também resultou em decisões judiciais que garantiram a reabertura do Restaurante Popular e a criação de um novo abrigo.

Na Praça, o discurso de Igor se encontrou com a realidade. Enquanto elogiava o combate à pobreza feito pelo governo federal, as vaias o lembravam das políticas que sua própria destruiu em Belém.

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