Premiado documentário será exibido nesta sexta-feira, 14, no auditório Eneida de Moraes, no Palacete Faciola, ao lado do Museu da Imagem e do Som, seguido de conversa com Juliano Salgado, filho do fotógrafo e codiretor do filme. Foto: Divulgação
Diretor de filmes que se tornaram referências do cinema mundial, como Paris, Texas, Asas do Desejo e Buena Vista Social Club, Wim Wenders construiu uma filmografia marcada pelas viagens, pela paisagem, pela memória e por personagens que observam e atravessam o mundo.
Em O Sal da Terra, esse olhar encontra o de outro grande criador de imagens. O encontro com Sebastião Salgado ganhou nova terceira perspectiva com Juliano Ribeiro Salgado, filho do fotógrafo, que já vinha acompanhando o pai em viagens e filmagens quando o projeto tomou forma.
Dessa aproximação nasce um documentário que ao longo de 110 minutos, percorre cerca de quatro décadas da trajetória de Sebastião Salgado. O fotógrafo revisita experiências em diferentes continentes e os grandes temas que atravessaram sua obra: conflitos internacionais, fome, êxodos, migrações, trabalho e profundas desigualdades sociais.
O filme também revela o preço dessa experiência. Depois de testemunhar e fotografar sucessivas situações de violência e sofrimento humano, Salgado atravessa uma transformação pessoal e profissional. Seu olhar se desloca progressivamente para a natureza, movimento que culminaria em Gênesis, projeto dedicado a territórios preservados, à fauna, à flora, a povos e a paisagens ainda pouco transformados pela ação humana.
Lançado em 2014, O Sal da Terra (Le Sel de la Terre) recebeu o Prêmio Especial da mostra Un Certain Regard, no Festival de Cannes, e o Prêmio do Público de Melhor Filme no Festival de San Sebastián. Em 2015, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário e ao César de Melhor Documentário.
A sessão integra a programação de encerramento da exposição Trabalhadores, em cartaz no Centro Cultural Banco da Amazônia. Até dia 30 de agosto, o público poderá conferir a mostra que reúne cerca de 150 fotografias realizadas por Sebastião Salgado entre 1986 e 1992, o público poderá ampliar esse percurso pelo cinema. Patrocínio do Banco da Amazônia.
Sob o olhar do filho
Juliano Ribeiro Salgado é cineasta, roteirista e diretor de fotografia. Nascido em Paris, em 1974, iniciou sua trajetória no documentário ainda nos anos 1990 e realizou trabalhos na África, no Afeganistão e no Brasil, além de atuar como repórter para a televisão. Formou-se na London Film School, em 2003, e desenvolveu uma carreira própria no audiovisual antes de realizar O Sal da Terra.
Ele começou a dirigir em 1996, com Suzana, documentário realizado para o canal franco-alemão Arte sobre o uso de minas antipessoais em Angola. Depois realizou documentários na Etiópia, Afeganistão e Brasil, além de reportagens para o Canal+ francês e para a TV Globo.
No documentário Sal da Terra, ele assina a direção ao lado de Wim Wenders, participa do roteiro e também da fotografia. Seu envolvimento com o projeto começou antes da chegada de Wenders, a partir das viagens em que acompanhava e filmava o pai.
Essa dupla condição — cineasta e filho — tornou-se uma das chaves da construção de O Sal da Terra, aproximando o registro da trajetória profissional de Sebastião Salgado de uma dimensão mais íntima e familiar.
SERVIÇO
Exibição de “O Sal da Terra” + conversa com Juliano Ribeiro Salgado.
Direção: Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado
Duração: 110 minutos
Classificação: 12 anos
Data: Sexta-feira, 14 de agosto de 2026
Horário: 18h – distribuição gratuita de ingressos a partir das 17h, no local.
Local: Auditório Eneida de Moraes (ao lado do MIS-PA) – Palacete Faciola
Endereço: Av. Nazaré, 138 – Belém (PA)
Patrocínio: Banco da Amazônia
Realização: Maré Produções








