Propagandeada pelo governo do Pará como a avenida “mais sustentável do país, a nova via afunda em polêmicas e tragédias anunciadas. Foto: Protesto de quilombolas na avenida Liberdade/Reprodução

Por Aldenor Junior

A gestão Helder-Hana faz de conta que os problemas na nova e polêmica Via Liberdade decorrem do acaso, só que não.

Precisam explicar ao povo paraense como foram aplicados cerca de meio bilhão de reais numa obra que não resistiu ao primeiro mês de uso uso e se desfez em vários trechos, atestando erros construtivos decorrentes de incompetência, pressa para obter dividendos eleitorais – a via foi entregue do dia 2 de abril, no limite da saída de Helder do governo – ou simplesmente para montar um gigantesco propinoduto.

Que ninguém imagine que levantar essa suspeita seja acusação leviana fruto do clima eleitoral. Os fatos falam por si. Ou não é indefensável permitir que uma obra que já nasceu sob fortes questionamentos socioambientais – como demonstram as decisões da Justiça Federal que tentam atenuar os prejuízos severos sobre comunidades tradicionais – tenha sido entregue a um consórcio construtor liderado na prática por uma empresa do notório deputado Antônio Doido (MDB), aquele mesmo que ficou famoso ao promover uma chuva de celulares pela janela de seu apartamento funcional em Brasília, quando a PF foi lhe visitar recentemente?

Tudo somado, a avenida Liberdade se transformou num emblema de um fracasso administrativo. Resta saber se, apesar disso, dará sua perversa contribuição a uma das campanha eleitorais de reeleição mais questionadas no Pará em todos os tempos.

Aldenor Junior é jornalista. 

Os artigos publicados na coluna “Opinião” não refletem necessariamente a posição do “Ponto de Pauta”. Os textos buscam estimular o debate sobre temas importantes para o país.

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