Capital terminou 2025 com 2.286 pessoas nessa condição, contra 1.474 no ano anterior; levantamento é baseado nos registros do Cadastro Único. Foto: Reprodução

A população em situação de rua registrada em Belém cresceu 55,1% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O número saltou de 1.474 pessoas para 2.286, um aumento de 812 pessoas em apenas um ano.

Os dados fazem parte de levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/POLOS-UFMG), produzido a partir das informações disponibilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) no Cadastro Único.

Crescimento em Belém supera média nacional

O aumento registrado em Belém em 2025 foi proporcionalmente muito superior ao observado no conjunto do país. Em dezembro de 2024, o Brasil contabilizava 327.925 pessoas em situação de rua no Cadastro Único. No final de 2025, eram 365.822, crescimento de aproximadamente 11,6%. Em Belém, no mesmo intervalo, a alta foi de 55,1%.

O Pará também apresentou crescimento expressivo. O estado passou de 3.178 pessoas em situação de rua em 2024 para 4.226 em 2025, aumento de aproximadamente 33%. Assim, mais da metade das pessoas nessa condição registradas no Pará ao final de 2025 estava em Belém.

Desmonte da rede assistencial em Belém

O crescimento da população em situação de rua ocorre em paralelo ao desmonte da rede de assistência social em Belém durante a gestão de Igor Normando (PSDB). Uma das primeiras medidas da atual administração foi extinguir o programa de transferência de renda Bora Belém, que atendia mais de 18 mil famílias, contrariando o compromisso assumido durante a campanha eleitoral de 2024 de manter o benefício.

Ao longo de 2025, trabalhadores da Fundação Papa João XXIII (Funpapa) realizaram mobilizações e denunciaram redução de pessoal, problemas estruturais nas unidades e dificuldades para manter até mesmo serviços básicos. A precariedade da rede também foi constatada pelo Ministério Público Federal que apontou indícios de operações de “limpeza social”, com remoções de pessoas de seus locais de permanência sem oferta adequada de acolhimento.

Diante do colapso e do descaso, a Justiça vem sendo provocada pelos Ministérios Públicos e Defensorias de forma reiterada para obrigar a Prefeitura de Belém a adotar medidas de acolhimento da população em situação de rua, o que resultou na retomada do Restaurante Popular e na abertura de vagas de acolhimento. Em uma dessas ações, a Justiça Federal apontou a existência de um “estado de coisas inconstitucional” e de “inércia estatal” diante do crescimento da população em situação de rua.

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