No Dia Municipal do Carimbó, data criada por iniciativa de Marinor Brito, Câmara reconhece como patrimônio cultural imaterial dezenas de manifestações da cultura popular de Belém. Foto: Divulgação 

Hoje, 26 de agosto, é celebrado o Dia Municipal do Carimbó, instituído pela Lei Municipal nº 8.305/2004, de autoria da então vereadora Marinor Brito e sancionada pelo prefeito Edmilson Rodrigues. A data marca o nascimento do mestre Verequete, um dos maiores nomes do carimbó paraense, cuja obra também foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Belém.

Foi justamente nesta data simbólica que a Câmara Municipal de Belém realizou, na manhã desta quarta-feira (26), uma sessão solene para homenagear bois-bumbás, pássaros juninos, aparelhagens, bandas, festivais e outras manifestações da cultura popular paraense, com a entrega de certificados de Patrimônio Cultural Imaterial de Belém.

“Tenho orgulho de ter contribuído para que o Dia Municipal do Carimbó fosse criado e, também, de ter homenageado a obra do mestre Verequete como patrimônio cultural imaterial de Belém. Hoje, celebrar esta data reconhecendo tantos grupos, mestres e manifestações é reafirmar que a cultura popular tem história, tem memória e merece ser protegida pelo poder público”, afirmou Marinor Brito.

A sessão reuniu artistas, mestres, brincantes, representantes de agremiações e parlamentares, reconhecendo publicamente o papel dessas manifestações na formação da identidade cultural da cidade. Bois-bumbás, pássaros, grupos musicais, aparelhagens e festivais são resultado de tradições que atravessam gerações, sustentadas pelo trabalho comunitário e pelo compromisso de pessoas que, muitas vezes, mantêm essas atividades sem patrocínio ou incentivo público permanente.

Cultura que gera trabalho e movimenta a economia

Para Marinor, reconhecer essas manifestações como patrimônio cultural também significa reconhecer uma extensa cadeia de trabalhadores que depende direta ou indiretamente da cultura para garantir sua renda.

“Quando o poder público reconhece uma manifestação como patrimônio cultural, não está valorizando apenas uma apresentação ou um grupo. Está valorizando toda uma cadeia econômica: os artistas, músicos, brincantes, costureiras, artesãos, cenógrafos, técnicos, produtores, comerciantes, trabalhadores de eventos e tantas outras pessoas que vivem direta ou indiretamente da cultura. Investir na cultura popular também é investir em trabalho, renda e economia local”, destacou a vereadora.

Apesar da relevância histórica, social e econômica, muitas dessas manifestações ainda sobrevivem com poucos recursos. A continuidade das tradições depende, em grande medida, do esforço voluntário de artistas, famílias e comunidades, que mantêm vivas expressões culturais fundamentais para a identidade de Belém.

Valorizar bois, pássaros, carimbó, aparelhagens, bandas, festivais e artistas populares é, portanto, valorizar a própria história da cidade. São manifestações que traduzem, em música, dança, figurino, ritmo e enredo, a vida dos bairros e comunidades e a criatividade de um povo que transforma sua realidade em cultura.

Para Marinor, o reconhecimento institucional precisa ser acompanhado de políticas públicas permanentes, com editais acessíveis, espaços adequados para ensaios e apresentações e mecanismos de financiamento que permitam a continuidade dessas tradições.

“Patrimônio não pode ser apenas um título. O reconhecimento precisa vir acompanhado de políticas públicas que garantam condições para que esses grupos continuem existindo. Quem constrói a cultura de Belém precisa ter direito a incentivo, espaço, financiamento e respeito. É assim que preservamos nossa memória e, ao mesmo tempo, fortalecemos a economia e o futuro da cidade”, afirmou.

Entre os homenageados com o certificado de Patrimônio Cultural Imaterial de Belém estão a Banda Álibi de Orfeu, Banda Warilou, Amazônia Jazz Band, Colégio Tenente Rego Barros, Bloco Império Romano, Pedreira Esporte Clube, Aparelhagem Príncipe Negro, obra de Verequete, Festival Se Rasgum, Aparelhagem Brasilândia, Lambateria, obra de Nilson Chaves, Aparelhagem Carabao, Festival Psica, obras de Paulo André Barata e Rui Barata, além de dezenas de bois-bumbás, pássaros juninos, cordões de bichos e outras manifestações culturais de diferentes bairros e comunidades de Belém.

A homenagem realizada no Dia Municipal do Carimbó reforça o caráter simbólico da data criada por iniciativa de Marinor Brito e reafirma a importância de transformar o reconhecimento da cultura popular em compromisso permanente com a preservação da memória, a valorização dos artistas e o fortalecimento da economia cultural de Belém.

Confira a lista completa dos homenageados:
Banda Álibi de Orfeu
Banda Warilou
Banda Amazônia Jazz Band
Obra De Paulo André Barata
Obra de Rui Barata
Obra do Verequete
Festival Psica
Festival Se Rasgum
Festival Lambateria
Bloco Império Romano
Aparelhagem Principe Negro
Aparelhagem Brasilândia
Aparelhagem Carabao
Obra de Nilson Chaves
Grupo de Boi Marronzinho
Grupo de Boi Travesso do Guamá
Boi Vagalume de Marambaia
Boi de Máscara Veludinho
Boi de Máscara Rei do Campo
Pássaro Junino Beija Flor
Cordão de Pássaro Tem Tem de Outeiro
Boi Bumbá Flor da Juventude
Cordão de Pássaro Pipira de Água Boa
Boi Bumbá Estrela Dalva
Pássaro Junino Pavão
Pássaro Junino Tem Tem do Guamá
Grupo de Pássaro Japiim
Cordão de Bicho Bacu
Cordão de Pássaro Colibri
Pássaro Junino Garça Namoradeira
Pássaro Junino Tucano
Pássaro Junino Suindara
Pássaro Junino Tangará
Cordão de Bicho Oncinha
Pássaro Junino Rouxinol
Pássaro Junino Pequeno Guará
Boi Bumbá Flor do Guamá
Boi Bumbá Luar do Marco
Pássaro Junino Ararajuba
Boi Malhadinho Realeza do Guamá
Boi Juventude Curumim Tabatinga
Boi Bumbá Catiguria
Boi Bumbá O Rei da Barão
Boi Bumbá Boi Misterioso

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