Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista aos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos, da TV Globo, nesta quinta-feira, 27, que se alguém cometer um erro ou um desvio que envolva a sua administração, não será protegido pela Presidência da República. Num escrutínio sem trégua dos entrevistadores, Lula não se furtou a responder a nenhuma pergunta, lembrou das acusações sem provas das quais foi vítima durante a Operação Lava-Jato para ponderar que ilações que surgem a partir de vazamentos da Polícia Federal não são provas.

“Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, eu não vou fazer qualquer movimento para ele ser protegido, como outros já fizeram”, disse o presidente em relação às investigações envolvendo seu filho Fábio Luís. O presidente comparou sua atitude, de deixar as investigações correrem livremente e sem nenhuma interferência, com a postura de Jair Bolsonaro, que tentou mudar o comando da Polícia Federal em 2021 para evitar o avanço de investigações contra seu filho, o hoje candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).

O petista voltou a dizer que é o brasileiro mais interessado nas investigações sobre esse caso, e afirmou que tem a expectativa de término dos inquéritos, reiterando que jamais utilizará o cargo para proteger ninguém. Lula disse acreditar na inocência de Fábio Luís, e que cabe ao seu filho prová-la, mas que, se for culpado, terá de responder por seus erros como qualquer cidadão. “Se cometeu erro, vai ter que responder pelo erro que cometeu.”

Em meio aos questionamentos sobre as denúncias que envolvem o seu filho, Lula disse que muito mais grave foi a fraude do Banco Master, criado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso, e que tem próximas ligações com a família Bolsonaro.

“Caso muito mais grave do que esse é o do Banco Master, que está silenciado.”

“Não haverá, da parte do presidente da República, um milímetro de movimento para proteger o meu filho”, declarou.

“Fui vítima da maior mentira montada neste país”

Ao ser questionado, na maior parte do primeiro bloco da entrevista, sobre denúncias que envolvem seu filho, Lula relembrou que foi vítima da “maior mentira montada neste país”, pela Operação Lava-Jato, “para impedir que ele fosse presidente da República” novamente, e enfatizou que todos são inocentes até que se prove o contrário.

Lula disse que seu filho Fábio Luís o viu ser perseguido pela Operação Lava-Jato e perdeu a mãe, a ex-primeira-dama Marisa Letícia, durante a devassa feita contra sua família pela força-tarefa. Por isso, segundo Lula, Fábio “sabe que não pode fazer nada errado”.

O presidente afirmou estar “muito tranquilo” em relação às investigações. Enfatizou o fato de que não há prova de desvio de “um tostão público” ou de qualquer conversa de seu filho ministros ou outros integrantes do governo para beneficiar a lobista Roberta Luchsinger.

Sobre as declarações da lobista sobre benefícios obtidos com o governo, Lula afirmou: “Só faltou ela dizer que eu oferecei a ela o Ministério da Defesa, o comando da Marinha”. O presidente enfatizou que a lobista não conseguiu obter do governo as vantagens que pretendia.

Ao enfatizar que ilações não são prova, Lula disse que a imprensa brasileira comprou as mentiras na Operação Lava-Jato, vendeu as mentiras e jamais fez autocrítica sobre seu comportamento.

Quadrilha do INSS desmontada no Governo Lula

Lula também relembrou que foi seu governo, a partir de investigações da PF e da Controladoria-Geral da União, que deflagrou a quadrilha montada no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) durante o governo Bolsonaro. Também esclareceu que seu governo já ressarciu os aposentados e pensionistas roubados pelo esquema de desvios não-autorizados.

Sobre as acusações a seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro, Lula disse que ele errou ao pedir um empréstimo a Roberta, e sabe disso. Contudo, afirmou que acredita em sua inocência e que não gosta de “fazer pirotecnia com acusações” sem conclusão.

“Ele é uma pessoa da minha total confiança, trabalhando comigo há sete anos. Todo o tempo que eu fiquei preso em Curitiba, no Paraná, ele ficou o tempo inteiro lá. Agora, se cometeu erro, paga o preço do erro cometido”, declarou o presidente.

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