Mesmo com queda das vendas para o mercado americano após tarifaço, exportações brasileiras cresceram 11,5%; Trump orientou representantes dos EUA a buscar acordo com governo Lula. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Brasil e Estados Unidos retomaram formalmente, nesta segunda-feira (31), as negociações sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros. Mas desta vez, o encontro ocorreu em um cenário diferente: apesar da perda de espaço no mercado norte-americano, o Brasil bateu recorde de exportações no primeiro semestre de 2026 e ampliou suas vendas para outros países.

Entre janeiro e junho, as exportações brasileiras alcançaram US$ 184,77 bilhões, crescimento de 11,5% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados publicados pela Forbes Brasil.

O desempenho ocorreu apesar da retração das vendas para os Estados Unidos. Enquanto as exportações destinadas ao mercado norte-americano caíram aproximadamente US$ 2,6 bilhões, as vendas para outros 17 destinos cresceram juntas US$ 19,3 bilhões.

O professor de geopolítica da ESPM, Leonardo Trevisan, diz que o Brasil já vinha buscando a diversificação de mercados e ironizou a situação: “Obrigado, presidente Trump. O senhor mostrou para o Brasil que nós podemos ter muito mais fregueses do que o senhor”

Além do crescimento das exportações para outros destinos, o Brasil vem ampliando acordos ou negociações comerciais com mercados como União Europeia, Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos.

Trump orientou representantes a buscar acordo

A reunião desta segunda-feira não produziu avanços sobre tarifas específicas, setores beneficiados ou concessões que poderiam ser feitas pelos dois governos. O principal resultado foi a retomada formal do diálogo.

Participaram das conversas representantes comerciais dos Estados Unidos e, pelo governo brasileiro, os ministros Márcio Elias Rosa, da Indústria, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores.

Segundo Rosa, os dois países reconheceram que as negociações ocorrem agora em um “novo cenário”. O ministro afirmou ainda que Donald Trump orientou seus representantes a trabalhar pela construção de um acordo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A retomada teria ocorrido depois de uma conversa telefônica entre Lula e Trump. De acordo com o relato feito pelo ministro após a reunião, o representante comercial dos EUA afirmou ter acompanhado o telefonema e recebido diretamente do presidente americano a determinação de buscar um entendimento com o Brasil.

O governo brasileiro destaca que Washington voltou à mesa sem que Brasília tivesse apresentado uma nova concessão.

Com informações de Forbes Brasil e Folhapress.

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