Zanin determinou acesso à íntegra dos dados e Gilmar Mendes fez pedido semelhante; Polícia Federal informou a Fachin que mantém sob sua custódia o aparelho original e a extração forense, podendo produzir cópias idênticas sem comprometer as provas. Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou-se contra o compartilhamento da íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro com os demais ministros da Corte.

O problema é que nem o aparelho original nem a única cópia de seu conteúdo estão em suas mãos: a Polícia Federal mantém sob sua custódia o celular apreendido e a extração forense dos dados e informou ao presidente do STF, Edson Fachin, que possui condições técnicas para fornecer cópias idênticas aos ministros que solicitarem acesso.

As informações foram publicadas neste domingo (13) pelo ICL Notícias, em reportagens de Cleber Lourenço e Juliana Dal Piva.

André Mendonça sustenta que o compartilhamento integral neste momento poderia tumultuar o julgamento e provocar exposição indevida de informações protegidas por sigilo. Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, entretanto, querem acesso à íntegra do material sem que isso implique tornar os dados públicos ou levantar o sigilo das investigações.

Gilmar afirmou que uma situação na qual apenas Mendonça dispõe do material gera “acesso assimétrico ao acervo informativo” e compromete a paridade entre os ministros e a própria colegialidade do STF.

Cristiano Zanin foi além do pedido e, na noite deste domingo, determinou diretamente à Polícia Federal que entregasse ao seu gabinete uma cópia integral do conteúdo extraído do celular de Vorcaro. Na decisão, Zanin afirmou que “não existe hierarquia entre os ministros do Supremo Tribunal Federal” e sustentou que as provas que serão utilizadas pelo plenário pertencem ao colegiado e aos seus integrantes, e não exclusivamente ao relator do processo.

Foi também no celular de Vorcaro que apareceram mensagens e áudios que revelaram um encontro reservado entre o próprio banqueiro e André Mendonça, em março de 2025. Segundo reportagem de Paulo Motoryn, do ICL, a reunião ocorreu em São Paulo, no endereço do Instituto Iter, fundado pelo ministro, e teria durado cerca de duas horas.

Os dados do aparelho também integram investigações sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. A PF abriu inquérito para investigar a atuação de Flávio Bolsonaro na captação e cobrança de recursos de Vorcaro para a produção. Essa investigação, a PET 16.369, permaneceu fora do conjunto de 15 procedimentos cujo sigilo foi retirado por Mendonça na semana passada.

A verdade é que o próprio ministro André Mendonça já vem tumultuando não apenas as investigações, mas também o processo eleitoral. De forma deliberada, informações seletivas extraídas do celular de Daniel Vorcaro vêm sendo divulgadas pela mídia, enquanto permanecem sob sigilo dados envolvendo figuras notadamente ligadas ao bolsonarismo, cujo governo autorizou a criação do Banco Master.

Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido a “quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master”. “O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário”, afirmou em nota pública. “O Brasil precisa saber a verdade”, defendeu o presidente.

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