Apoio à Lívia Duarte reúne nomes de peso da academia paraense e coloca a educação pública no centro do debate eleitoral. Foto: Marcos Barbosa

Por Willys Lins

A eleição de 2026 começa a produzir sinais que, na política paraense, costumam dizer mais do que discursos de palanque. Um deles vem das universidades.

Uma carta de apoio à reeleição da deputada estadual Lívia Duarte (PSOL) reúne professores, pesquisadores e técnicos da educação de instituições públicas e privadas do Pará. E não é apenas uma lista de assinaturas. Entre os primeiros nomes aparecem figuras de forte presença na vida acadêmica paraense.

Na abertura da relação estão Edna Maria Ramos de Castro, professora emérita da UFPA/NAEA; Emmanuel Zagury Tourinho, ex-reitor da UFPA; Ernani Chaves, professor titular da UFPA/IFCH; João de Jesus Paes Loureiro, professor emérito da universidade; Vera Lúcia Jacob Chaves, professora titular; Violeta Refkalefsky Loureiro, professora emérita; e Adolfo Oliveira Neto, professor da UFPA/IFCH.

O detalhe político está justamente aí.

A manifestação não se limita a declarar voto. O documento apresenta a reeleição de Lívia como parte de uma disputa em torno da universidade pública, das políticas de cotas, da ciência e tecnologia, da autonomia universitária e dos direitos dos trabalhadores.

É uma agenda que conversa diretamente com a identidade política construída pela deputada e que procura transformar uma candidatura parlamentar em uma espécie de trincheira institucional de setores da educação pública.

A carta também recupera a trajetória de Lívia: primeira deputada estadual preta da história do Pará, mãe, psicóloga, mestranda em Ciência Política pela UFPA e ex-vereadora de Belém. O texto destaca ainda sua atuação de oposição aos setores que considera responsáveis por injustiças sociais, raciais e de gênero.

Nos bastidores, o sinal mais importante talvez esteja menos no número de assinaturas e mais na qualidade dos primeiros nomes que aparecem na lista.

Quando um ex-reitor e professores eméritos e titulares de uma das principais universidades da Amazônia colocam seus nomes publicamente em uma candidatura, o gesto ganha dimensão política própria. Não significa, por si só, transferência automática de votos. Mas revela que Lívia busca consolidar uma base de apoio que ultrapasse os limites tradicionais da política e dialogue com setores organizados da educação, da ciência e da universidade pública.

A carta também explicita quatro bandeiras: autonomia universitária permanente; defesa e ampliação das cotas raciais e de gênero; avanço das políticas de ciência e tecnologia; e apoio à luta dos trabalhadores pelo fim da jornada 6×1.

É, portanto, um manifesto com endereço político bastante claro.

Na corrida pela Assembleia Legislativa, cada candidatura tenta demonstrar que possui mais do que estrutura eleitoral: precisa mostrar território, identidade e capacidade de mobilização.

Lívia Duarte acaba de apresentar um desses sinais.

E, em política, quando a universidade começa a se mobilizar em bloco, convém prestar atenção em uma conquista da democracia: o espaço público e acadêmico para o debate livre de ideias.

Confira o manifesto aqui

Willys Lins é jornalista.

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