Excepcionalmente realizado no terceiro domingo de outubro, dia 18, projeto reúne arte, patrimônio, música, gastronomia e economia criativa nos bairros da Campina, Cidade Velha e Reduto. Circuitinho Circular e show de Mestre Solano estão entre os destaques. Foto: Divulgação

Outubro tem um movimento próprio em Belém. É o mês em que o Círio de Nazaré transforma a cidade, mobiliza milhares de pessoas e faz das ruas um território de encontros, celebrações e manifestações culturais. É também um período especialmente querido pelos parceiros do Circular Campina Cidade Velha, que costumam preparar suas programações em diálogo com a maior festa dos paraenses.

Neste ano, o calendário exigiu uma mudança. O primeiro domingo de outubro coincidiu com as eleições, enquanto o segundo foi reservado à grande procissão do Círio. Assim, a 63ª edição do Circular acontece excepcionalmente no terceiro domingo, 18 de outubro, convidando o público a voltar às ruas do Centro Histórico para um dia de arte, cultura, memória e convivência.

A programação se espalha pela Campina, Cidade Velha e Reduto, reunindo exposições, oficinas, visitas guiadas, feiras, música, gastronomia, atividades para crianças e experiências que aproximam o público do patrimônio da cidade. Em comum, as iniciativas revelam a diversidade de espaços e pessoas que ajudam a manter esses bairros culturalmente ativos.

A edição conta com o patrocínio do Grupo Alubar e apoio da Renner e da Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Fórum Landi e dos Mercedários/UFPA.

Da infância à guitarrada, na Praça do Carmo

Duas ações ajudam a marcar o início e o encerramento da programação. Pela manhã, o “Circuitinho Circular” chega à 18ª edição, celebrando a infância com uma caminhada de educação patrimonial pelas ruas da Cidade Velha. A concentração será às 8h30, em frente ao Museu de Arte de Belém (MABE), no Palácio Antônio Lemos. Às 9h, crianças de 5 a 11 anos iniciam um percurso que inclui visita às exposições do museu e passagem por ruas e edificações históricas, até chegar à Praça do Carmo.

O encerramento, previsto para as 10h, terá apresentação musical da Banda da Tia Ot, um show especialmente dedicado às crianças. Com intérprete de Libras, o Circuitinho combina brincadeiras, descobertas e contato com a história da cidade, estimulando desde cedo o reconhecimento e a valorização do patrimônio cultural.

No início da noite, a mesma Praça do Carmo recebe outra celebração. Às 18h30, o “Circular Apresenta” leva ao palco Mestre Solano, um dos grandes nomes da guitarrada paraense. Com sete décadas de trajetória, 17 discos gravados e uma sonoridade atravessada pelos ritmos da Amazônia e do Caribe, o músico tem em “Americana” um de seus sucessos mais conhecidos.

Entre a caminhada das crianças e a apresentação do mestre da guitarrada, a praça se reafirma como espaço de encontro entre gerações, manifestações culturais e diferentes formas de viver a cidade.

Casas abertas, histórias compartilhadas

Uma das experiências desta edição será a segunda abertura da Casa Rosada ao público do Circular. Localizada na rua Siqueira Mendes, a primeira de Belém, a edificação do século XVIII, preservada pelo Grupo Alubar, receberá quatro turmas para visitas guiadas conduzidas pelo historiador Michel Pinho.

As visitas vão abordar a fundação de Belém, a trajetória do arquiteto Antônio Landi, as características do imóvel e suas transformações ao longo do tempo. O público também poderá conhecer a exposição de artes plásticas Nossa Natureza é Transformar, com obras de artistas paraenses. As atividades são gratuitas, mediante inscrição.

A presença de Landi na paisagem urbana também orienta o Roteiro Geo-Turístico da UFPA, que parte às 8h30 da Casa das Onze Janelas e percorre locais como a Catedral da Sé, a Casa Rosada, o Palácio Lauro Sodré, a Igreja de São João e a Igreja do Carmo, terminando no Fórum Landi.

No Fórum, a programação continua com a exposição Vozes da Modernidade – Belém 1940-1980, visitas mediadas à maquete do Centro Histórico e uma oficina de construção de maquetes de edifícios históricos.

São diferentes oportunidades de conhecer a cidade para além de suas fachadas, reconhecendo as relações entre arquitetura, história, memória e os usos contemporâneos do patrimônio.

Novos encontros e parceiros que retornam

A 63ª edição também traz novidades na composição do circuito. O Café Santo Pizzaria Artesanal passa a integrar a programação, aproximando gastronomia e música em um espaço que abre às 15h e recebe o cantor Ronys do Vale às 19h30.

Dois retornos também merecem destaque. A Cas’Amazônia Brasil volta ao Circular com atividades que atravessam o dia, entre yoga, artes visuais, visitas guiadas, gastronomia, expositores e música. Já o Espaço Cultural Valmir Bispo Santos, instalado em um casarão centenário da Campina, retoma sua participação com a programação Arte como Expressão de Fé e Resistência.

No espaço, a exposição Acervo de Paixões: Quadros de uma Vida reúne obras da coleção particular de Rudival Freitas e Vilma Ignarra, com curadoria de Marília Melo. A programação inclui feira criativa, conversa com o antropólogo e pesquisador Miguel Picanço sobre os saberes alimentares amazônicos, música com Renato Lu e almoço preparado pelo chef

Wagner Vieira, do Toró Gastronomia Sustentável.

No Casarão Mairí, a Feira Jenipapo retorna com sua combinação de arte gráfica, música e gastronomia. A feira vem conquistando um público de diferentes gerações, dos jovens aos frequentadores com mais de 50 anos, demonstrando como a produção autoral pode criar novos espaços de convivência no Centro Histórico.

Essa movimentação se estende a outras iniciativas de economia criativa, como o Cabide Collab, que reúne marcas regionais, lançamentos e música ao vivo; e o Centro de Cooperação e Inovação Social da Sicoob Coimppa, com a III Feirinha Cooperativista, dedicada à produção artesanal e ao empreendedorismo de suas cooperadas.

Arte, memória e saberes amazônicos

A diversidade da programação aparece também nas linguagens artísticas e nas experiências de formação.

Na Campina, a Associação Fotoativa realiza oficinas de desenho abstrato e cianotipia. No Sesc Ver-o-Peso, o público encontra exposições como Viva o Povo Brasileiro!, do fotógrafo João Roberto Ripper, e Manman Dilo, dos artistas T2i e NouN, além de atividades voltadas às crianças e famílias.

A Galeria de Arte da UFPA apresenta Terra Incógnita: notas amazonianas, exposição com obras de 63 artistas da Coleção Amazoniana de Arte da universidade. Já a Assembleia Paraense recebe Belém em Procissão, mostra que observa as transformações da paisagem urbana durante o Círio de Nazaré.

Na Cidade Velha, museus estaduais abrem suas portas com exposições que abordam diferentes aspectos da história, da arte e da cultura paraense. Entre elas está Lá vem a corda, instalada na capela do Museu Histórico do Estado do Pará, em diálogo direto com a tradição do Círio.

No Reduto, Tem Vila Prana com programação extensa com seus parceiros. O Instituto Letras que Flutuam , um deles, abre seu acervo e promove oficinas de abertura de letras, aproximando o público de uma tradição visual associada às embarcações amazônicas. O Casarão da Rádio Margarida recebe o espetáculo infantil Dona Árvore e o Passarinho, enquanto a Vila Prana reúne feira, experiências com café, atividades artísticas e vivências de dança.

A programação se completa com música, gastronomia e outras iniciativas que ocupam restaurantes, bares, galerias, instituições culturais e espaços independentes.

Uma cidade que se encontra

Ao longo de suas edições, o Circular vem construindo uma relação continuada entre o público e o Centro Histórico. Além de abrir espaços em um domingo, a ideia é estimular a circulação de pessoas pelas ruas antigas da cidade, fortalecer iniciativas culturais e econômicas e ampliar o acesso ao patrimônio.

A 63ª edição reafirma essa proposta. A edição conta com patrocínio do Grupo Alubar e apoio da Renner e da Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Fórum Landi e dos Mercedários/UFPA.

Serviço

63ª edição do Circular Campina Cidade Velha
Data: Domingo, 18 de outubro de 2026
Local: Espaços participantes dos bairros Campina, Cidade Velha e Reduto, em Belém (PA)
Horários: Conforme a programação de cada espaço
Programação completa: https://projetocircular.org/edicoes/2640/
Mais informações: https://projetocircular.org/
Patrocínio: Grupo Alubar
Apoio: Renner e UFPA, por meio do Fórum Landi e Mercedários/UFPA.

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