Após impor mudanças rejeitadas pelos servidores municipais, prefeito propõe revogar medidas aprovadas em 2025, em meio à perda de apoio político e à reorganização de forças na Câmara de Belém. Foto: Reprodução/Instagram
A Câmara Municipal de Belém (CMB) deve votar, nesta quarta-feira (4), a proposta de Igor Normando (PSDB) de revogar duas medidas do chamado “Pacote de Maldades” – o Estatuto do Servidores e do Magistério – , encaminhadas e aprovadas por sua própria gestão no final de 2025. As mudanças foram amplamente rejeitadas pelas categorias de servidores municipais, que denunciaram perdas de direitos, fragilização das carreiras e precarização dos serviços públicos.
Durante a votação na Câmara, servidores que protestavam contra as medidas foram alvo de dura repressão policial. Apesar da resistência, o prefeito conseguiu aprovar o pacote com o apoio de sua base de vereadores, o que provocou intensa mobilização dos trabalhadores da educação, saúde e assistência social, que protagonizaram uma greve por cerca de 50 dias, exigindo a revogação dos projetos.
Menos de um ano depois, o cenário político mudou. A derrota de Hana Ghassan (MDB) nas eleições estaduais de 4 de outubro enfraqueceu o grupo político que dava sustentação ao governo municipal. Sem o mesmo respaldo do governo estadual, Igor Normando enfrenta agora o risco de perder a maioria na Câmara, diante das articulações de vereadores e vereadoras com o governador eleito Daniel Santos (Podemos).
É nesse contexto de fragilidade política que o prefeito propõe revogar medidas que, até recentemente, seu governo defendia como necessárias. Igor Normando parece apostar na memória curta dos servidores, e que a revogação será suficiente para recuperar parte do apoio perdido entre as categorias.
Mais do que revogar medidas prejudiciais, é preciso avançar na conquista de novos direitos e garantir que a população de Belém tenha acesso a serviços públicos de qualidade.








