Inauguração da Avenida Liberdade, em abril de 2026. Sete meses depois, a obra já apresenta problemas estruturais e acumula quase meio bilhão de recursos públicos. Foto: Marco Santos / Ag. Pará

Mais um aditivo contratual foi divulgado pelo governo do Pará para a reconstrução da Avenida Liberdade, no Pará, elevando o investimento total na obra para meio bilhão de reais. A via, de 14 quilômetros, foi inaugurada em abril deste ano pelo então governador Helder Barbalho (MDB) e já apresenta crateras e problemas em sua estrutura.

A denúncia do acréscimo no contrato foi feita pelo ex-deputado Arnaldo Jordy, por meio de suas redes sociais, na manhã deste sábado (7).

“É simplesmente assustador o que esse governo dos Barbalhos continua praticando, mesmo depois da eleição. A obra, supostamente superfaturada, recebeu um aditivo de 45 milhões de reais e, na semana passada, mais um aditivo de 47 milhões, perfazendo um total de mais de meio bilhão nesta obra de 14 quilômetros, que afundou 6 meses depois da inauguração”, afirmou Jordy.

Novo aditivo à obra na Av. Liberdade, publicado no Diário Oficial do Estado do dia 29 de outubro, e assinado pelo secretário de Infraestrutura e Logística, Adler Almeida da Silveira

A licitação para realização da obra foi vencida pelo Consórcio Liberdade, formado por cinco empresas, pelo valor inicial de R$ 410 milhões. Em janeiro de 2026, o contrato recebeu um aditivo de R$ 42,6 milhões. (Leia aqui) No dia 28 de outubro deste ano, um novo aditivo foi autorizado no valor de R$ 47 milhões.

Jordy também destacou a participação da empresa da esposa do deputado federal Antonio Doido (MDB), Andrea Costa Dantas, no consórcio responsável pela execução da obra, se referindo a ele como “aquele delinquente compulsivo que responde por mais de 4 processos por corrupção”.

Diante dos novos aditivos, o ex-deputado levanta a suspeita de que o montante adicional tenha sido destinado a “pagar as dívidas da campanha derrotada” e cobra o Ministério Público Estadual, que segundo ele, “tem a obrigação de investigar essa tramoia toda”.

Empresas de Antônio Doido são investigadas

A JAC Engenharia e a J.A Construcons Civil Ltda., que também tem Andrea como sócia, são investigadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), desde agosto de 2025, por suspeitas de irregularidades em licitações relacionadas à COP30. Segundo a PGR, entre 2020 e 2024, o governo do Pará empenhou mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais para a J.A Construcons.

A PGR afirma que Antônio Doido e Ruy Cabral – ex-secretário de Obras que deixou o cargo  em junho de 2026 –  “aparentam integrar organização criminosa voltada à prática de crimes contra a administração pública e violações em processos de licitação e contratos administrativos no Pará”, além de possíveis crimes eleitorais e infrações contra o sistema financeiro.

Embora a JAC Engenharia e a J.A Construcons estejam formalmente registradas em nome da esposa de Antônio Doido, a PGR aponta que ela seria usada como “pessoa interposta” para ocultar o verdadeiro controle do deputado sobre a empresa.

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