Beto Andrade (*)
Quem assistiu ao noticiário do último domingo no programa Fantástico, deve ter ficado indignado com o caso de uma senhora negra que saiu de licença maternidade e ao retornar ao trabalho foi colocada em outro local mais distante de sua casa e depois mudada de novo para ainda mais longe.
Ficou desta maneira sem condições de amamentar e acompanhar sua filinha.
Por diversas vezes a creche onde a criança ficava ligou para pedir o acompanhamento da mãe, que era negado.
Certo dia, a criança passou muito mal e a creche fez contato com a mãe, que novamente foi impedida de socorrer sua filha.
Desta última vez o quadro de saúde da criança se complicou muito, o que a levou a uma internação de vários dias por conta de uma infecção – que lamentavelmente a levou a morte.
Um especialista (pediatra) afirmou que possivelmente a criança nem viesse a adoecer caso estivesse sendo corretamente amamentada.
A justiça – que geralmente tarda – definiu que a empresa pague à mãe uma indenização de R$ 100 mil por assédio moral.
A vida não tem preço, mas ainda é pouco por esta perda irreparável!
Todos/as sabem dos benefícios da amamentação, que vão muito além da alimentação com nutrientes do bebê – é um alimento de carinho e aprendizado.
A licença maternidade no país é legalmente de 120 dias. Algumas mulheres trabalhadoras conseguiram a importante vitória de poder ficar com seus filhos até os seis meses. É preciso que se avance para TODAS AS MULHERES. Em geral as que gozam deste benefício são servidoras públicas federais e estaduais. São poucos casos da iniciativa privada e de municípios.
Apenas agora, após dois anos de cobrança de nosso sindicato por este direito é que a prefeitura de Ananindeua concedeu tal benefício.
Estamos felizes! Evidentemente que poderia ter sido antes, se houvesse mais boa vontade.
O Diário Oficial foi publicado em julho, mês de férias dos professores, talvez até para não parecer uma conquista.
De qualquer maneira, para nós do SINTEPP, é uma conquista. E não só das trabalhadoras em educação, mas de todas as trabalhadoras do poder público em Ananindeua.
Beto Andrade é Coordenador da Subsede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Ananindeua.







