Alessandra Korap: Líder indígena que foi à COP-26 tem casa invadida em Santarém; PSOL diz que ataque é represália de garimpeiros

Alessandra Korap Mundukuru – Chritian Parente/Um Brasil

Cinco dias após ter retornado de Glasgow, onde discursou na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP26), a líder indígena Alessandra Korap Mundukuru relatou à Polícia Federal que teve a casa invadida e roubada, em Santarém, no interior do Pará. Um boletim de ocorrência, registrado neste sábado (13), diz que os bandidos reviraram a residência e levaram o cartão de memória das câmeras de segurança, uma pasta de documento com notas fiscais e um montante de R$ 4.000.

Foto da casa de Alessandra Munduruku revirada após invasão de bandidos Foto: Reprodução / Alessandra Munduruku

Segundo o registro feito na PF, “causou estranheza” o fato de bens mais valiosos, como o notebook e a televisão, não terem sido levados. À PF, Alessandra disse que o crime pode ter ocorrido como “represália à sua atuação na defesa dos direitos indígenas”. Vice coordenadora da Federação dos Povos Indígenas do Pará, ela é uma das vozes mais críticas à invasão de garimpeiros ilegais na Terra Munduruku, que margeia o Rio Tapajós.

Alessandra foi uma das 40 representantes de povos indígenas que foram à COP26 para denunciar as constantes invasões de garimpeiros, grileiros e madereiros em reservas na Amazônia.

Deputada Marinor pede investigação sobre o caso

Por meio de suas redes sociais, a Deputada Marinor Brito (PSOL-PA), pediu urgência na apuração do crime. “Todo apoio a Alessandra Munduruku. Não calarão as vozes que se levantam em defesa da Amazônia e seus povos!”

PSOL Pará diz que ataque é uma represália de garimpeiros

Nós do Psol-Pará repudiamos veementemente a invasão da casa da liderança Munduruku, Alessandra Korap, ocorrida no dia 13/11. Nessa atitude intimidatória e inaceitável foram subtraídos documentos e também quantias em dinheiro que seriam utilizadas para a Assembleia do povo Munduruku. Felizmente, Alessandra e sua família não estavam em casa no momento.

Esse ataque é uma represália de garimpeiros à atuação da liderança indígena, que acabara de retornar da COP-26, em que denunciou toda a política de destruição do governo Bolsonaro sobre a Amazônia.

A violência contra aquelas e aqueles que lutam pela terra, defendem o meio-ambiente e resistem contra a lógica predatória de garimpeiros e fazendeiros, é uma realidade brutal, constante na Amazônia e em outras regiões do país, que precisa ser combatida com urgência.

Não podemos deixar que esse ato passe impune. É extremamente necessário que os responsáveis por tal covardia sejam identificados e punidos sob o rigor da lei, assim como seja garantida a segurança e proteção de Alessandra e sua família.

Toda solidariedade à Alessandra, sua família e ao povo Munduruku.
Em defesa da Amazônia! Em defesa dos povos indígenas! Viva a luta do povo Munduruku! Fora Bolsonaro!

Belém, 13 de novembro de 2021.

Com informações de Eduardo Gonçalves, O Globo

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