Amazônia Real- Na última década, os planos de barragens na Amazônia do Brasil foram desacelerados devido à percepção, pelas autoridades elétricas do país, de que a obtenção de licenças ambientais seria difícil quando os povos indígenas são impactados, apesar do sucesso do governo em forçar a aprovação de barragens como Belo Monte, Teles Pires e São Manoel, que violam os direitos desses povos conforme garantido pela Constituição do Brasil (Art. 321), Leis (Decreto nº 10.088/2019; antes Lei nº 5.051 de 19 de abril de 2004) e compromissos da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. Três dessas barragens que estavam paralisadas estão no Pará, no rio Jamanxim, um afluente do rio Tapajós, que é um dos principais afluentes do rio Amazonas.
Porém, surgiram recentemente sinais claros de que essa hesitação mudou, com a holding paraestatal elétrica do Brasil Eletrobrás e sua subsidiária Eletronorte obtendo em 24 de janeiro de 2022, a prorrogação do prazo da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para permitir a elaboração de estudos de viabilidade econômica para essas barragens.
Isso mostra que o governo federal brasileiro continua se recusando a reconhecer os enormes custos ambientais e humanos das barragens na Amazônia e o fato de que o Brasil tem opções de energia muito melhores do que as barragens, não apenas em termos de impactos, mas também em termos financeiros.
Mostra também que as autoridades governamentais contam com a aprovação do projeto de lei 191/2020 do presidente Jair Bolsonaro, que avança rapidamente no Congresso Nacional, cujo absurdo escopo permite a abertura de terras indígenas para construção de hidrelétricas, bem como para operações de mineração, extração de madeira e agronegócio por empreendedores não indígenas.
O presidente Bolsonaro chegou a usar a guerra na Ucrânia como justificativa para abrir terras indígenas para mineração através da aprovação do projeto de lei 191/2020, que também as abriria para barragens.
As três barragens recém anunciadas no rio Jamanxim, Cachoeira do Caí, Jamanxim e Cachoeira dos Patos, foram objeto de estudos preliminares durante o inventário de 2008 da bacia do rio Tapajós. A Barragem de Cachoeira do Caí inundaria parte da área indígena Sawré Muybu (localizada na região Sul do Pará), que também seria parcialmente inundada pela planejada Barragem de São Luiz do Tapajós, no rio Tapajós. Todos os três reservatórios inundariam o Parque Nacional do Jamanxim, e duas das próprias barragens estariam localizadas dentro do parque.








