“Pureza”: longa-metragem sobre escravidão contemporânea com grande elenco paraense, está em cartaz em Belém

Por Ju Abe

85 é o número de organizações sociais e da sociedade civil que estão oficialmente apoiando, divulgando e levando para as rodas de conversa o premiado filme “Pureza” que estreou no último dia 19, em todos os cinemas do Brasil (veja como assistir em Belém, ao final da matéria). Segundo informações concedidas pelo diretor Renato Barbieri em entrevista para o blog musical paraense Rádio Web Iara, isto se dá porque o filme enquadra-se como um “Cinema social (…)” e, portanto, “as organizações (sociais), se vêem nesses filmes”.

E não deveria ser por menos: o longa, estrelado pela atriz paraense Dira Paes, traz à tona um debate tão atual quanto necessário: a escravidão contemporânea. “Pureza” conta a história real de Pureza Lopes Loyola, a mulher que enfrentou escravagistas perigosos do Pará para salvar seu filho capturado por eles, e acabou tornando-se um símbolo da luta contra o trabalho escravo, no mundo inteiro.

Na entrevista, o também premiado diretor residente em Brasília, disse acreditar que a realidade do “brasil profundo”, precisa sair da invisibilidade. O tema da escravidão contemporânea é, segundo ele, uma face de um Brasil que nunca deixou de ser escravagista, de fato: “O Estado brasileiro sempre foi colonial. A gente teve uma independência que não foi uma independência. Ficamos independentes de Portugal, mas não ficamos independentes da elite escravagista, oligárquica, que desde o início tava aqui, que era formada por portugueses, e depois nascidos como brasileiros”.

“Nós estamos trazendo o que tá invisível, pra visibilidade. E o que tá invisível na cidade, o que tá lá no Brasil profundo nós estamos trazendo pro pólo da cidade”, continua.

E, neste trabalho de dar visibilidade a este “Brasil profundo”, ele acredita que a união entre arte e ciência são instrumentos potentes para a mudança: “Esse cinema é feito com pensamento artístico e científico. A gente se cerca e observa os cientistas. Historiadores, sociólogos, esses abolicionistas todos que deram suporte à pesquisa do roteiro. Isso é ciência. Nós estamos elaborando Ciências Sociais (…). Então, tudo isso, a gente traz pro filme, essa ciência. E numa perspectiva artística. Então a gente vê o cinema como ciência e arte, e como social”.

Pureza teve boa parte de suas cenas gravadas em Marabá, sudeste paraense. Ele traz ainda, além de Dira, mais nove atores paraenses, os quais Barbieri considerou essenciais para a dramatização da trama, em cuja história real a imersão na atmosfera paraense foi essencial: “Todos entraram na imersão. O filme tem 20 atores e atrizes, 10, incluindo a Dira, são do Pará, são de Belém. Então você tem uma presença, um DNA paraense, que eu tenho muito orgulho, porque deu uma cara de Brasil. O filme tem uma cara de Brasil, essa policromia brasileira tão rica, e que muitas vezes aparece só uma matiz, em detrimento das outras”, orgulha-se o diretor.

SERVIÇO

Filme “Pureza”, dirigido por Renato Barbieri, com Dira Paes, Claudio Barros, Alberto Silva Neto, William Gama, Guto Galvão

Moviecom Castanheira

segunda a sexta-feira, sempre às 21:45

Ingressos: 2ª a 4ª $23,00 , com meia a $13,00; quinta e sexta a $30,00 com meia a $15,00.

UCI Bosque Grão Pará

segunda à sexta-feira, sempre às 20:10

Ingressos: 2ª a 4ª $20,00 inteira, com meia a $10,00; quinta e sexta-feira $28,00 inteira, com meia a$14,00

Ouça na íntegra a entrevista com Renato Barbieri concedida à Rebecca Braga, do blog musical paraense Radio Web Iara aqui.

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