Em meio à crise climática mundial, os brasileiros e brasileiras têm acompanhado, nos últimos dias, as alarmantes notícias sobre incêndios florestais que têm se espalhado em quantidade acima do normal, por todo o país.

Como se sabe também, a preservação da Amazônia é de fundamental importância à contenção da catástrofe climática que se avizinha, e, mesmo assim, o Pará hoje carrega a triste marca de ser o estado com maior número de incêndios florestais da Amazônia, e, ao que tudo indica, com a leniência do governo do estado.

Entre os municípios com maiores focos de incêndio no Pará estão: São Félix do Xingu, com 707 alertas, Altamira, com 645, Novo Progresso com 581, e Itaituba, com 272.

E mesmo em meio ao cenário alarmante, em Novo Progresso, segundo denúncia do site Amazônia Real, o governo do Pará não colaborou com investigações sobre possíveis causas criminosas de incêndios florestais, no que ficou conhecido como o “Dia do Fogo”, quando, em 10 de agosto de 2019, diversos grupos de ruralistas locais teriam atuado de forma coordenada e ateado fogo em diversos pontos da floresta, em manifestação de apoio ao governo de Jair Bolsonaro, avesso às causas ambientais e simpatizante do afrouxamento da legislação ambiental brasileira.

A ministra do meio ambiente Marina Silva já levantou suspeita de haver relação entre o acontecido em 2019, e o que está acontecendo agora. E, o fato de o Pará estar como o estado com maior número de incêndios florestais da Amazônia, pode ser consequência de uma leniência do governo de Helder Barbalho.

“Ausência de apoio do estado do Pará”

À época do Dia do Fogo, a reportagem do Amazônia Real procurou o procurador da República no município de Itaituba Paulo de Tarso Moreira Oliveira. Ao ser questionado sobre o que o Ministério Público havia conseguido apurar sobre os incêndios criminosos, o procurador respondeu que estava sentindo uma ausência de apoio do governo do Pará para garantir a integridade dos agentes do IBAMA.

“A possibilidade da ocorrência foi comunicada [pelo MPF] ao Ibama. Mas não foi tomada nenhuma medida por conta da falta de um acordo com a Polícia Militar do Estado do Pará”, afirmou Paulo de Tarso à época.

Perguntado sobre o motivo da PM do Pará não atender ao Ibama, Paulo de Tarso declarou: “de fato, existe essa rusga. Essa falta de apoio da PM do Estado. Tem que entender por que o Ibama não está conseguindo esse suporte policial? O que está acontecendo?”.

Em um despacho datado do dia 22 de agosto de 2019, Paulo de Tarso afirma que “conforme manifestação apresentada pelo próprio IBAMA, o enfrentamento de tais infrações ambientais têm sofrido enfraquecimento pela ausência de apoio do Estado do Pará”.

Ele também destacou a ausência da Força Nacional de Segurança, do Ministério da Justiça, à época comandado por Sérgio Moro, ministro do governo Bolsonaro. “Acrescente-se a isso, a notícia de falta de apoio tanto por parte da Polícia Militar, quanto pela Força Nacional, vinculada ao Ministério da Justiça”, afirmou o procurador no documento, ao qual agência Amazônia Real teve acesso.

Ou seja, se a ministra Marina Silva estiver certa em sua suspeita de ação criminosa como causa dos incêndios que hoje assolam o estado do Pará e todo o Brasil, aqui no Pará há fortes indícios de que criminosos com atuação nesta área têm atravessado os anos com suas liberdades garantidas pela inação do governo de Helder Barbalho.

 

Redação Ponto de Pauta

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