Foto: Vídeoreprodução

Quando em maio de 2023, o então secretário, Igor Normando, apareceu agradecendo aos empresários de ônibus na propaganda institucional do sindicato empresarial, a população teve reforçada a desconfiança que já tinha, depois de o mesmo ter votado contra o ar-condicionado nos ônibus, quando era vereador. Afinal, somente alguém comprometido com o empresariado toparia vincular sua imagem a um setor que, mesmo lucrando, submete a população ao sofrimento e ao risco, com casos de ônibus pegando fogo por pane elétrica, eixos que se soltam ou portas que voam no meio da viagem.

Àquela altura, o prefeito Edmilson buscava uma solução para acabar com a precariedade do transporte, depois de ter lançado, por duas vezes, o edital de licitação para a concessão do serviço na capital, que curiosamente, não tiveram a participação de nenhuma das 1.577 empresas de ônibus de Belém ou do Brasil, já que o processo era nacional.

Essa relação nada republicana, de um representante do setor público com um poderoso setor privado, faz lembrar de uma outra figura da política paraense, que chegou a ser denunciada por supostamente ter recebido, sem declarar à Justiça, pelo menos R$ 2,15 milhões de reais do mesmo sindicato empresarial: Zenaldo Coutinho. Aliás, o projeto de ar-condicionado nos ônibus foi rejeitado na gestão do antigo prefeito, com o argumento que é usado pelo agora candidato, Igor Normando: a melhoria traria aumento de custos o que implicaria em aumento de tarifa. Como afirmar isso, sem análise detalhada sobre a planilha de custos?

A atual gestão mostra que esse argumento não se sustenta: o prefeito Edmilson Rodrigues já anunciou que, mesmo com os novos ônibus, a tarifa vai ser mantida em R$ 4 reais. Essa é a decisão de quem tem compromisso com a população, e não com os empresários de ônibus.

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