Sara Pereira, coordenadora da FASE Amazônia – Foto: FASE/divulgação

A coordenadora da FASE Amazônia, Sara Pereira, foi aplaudida por participantes de uma coletiva de imprensa on-line sobre a participação da sociedade civil brasileira na COP 30, que começa na próxima segunda-feira,10, em Belém.

Em sua fala, Sara destacou a importância de amplificar as vozes dos povos da Amazônia e de reconhecer o racismo ambiental que ainda marca as políticas de desenvolvimento na região. “A mensagem dos povos que habitam os territórios amazônicos precisa ecoar para além da COP 30”, afirmou.

Segundo a educadora, o cenário atual é desafiador para as comunidades amazônicas, que seguem enfrentando ameaças mesmo em um contexto democrático. “Temos uma história de organização popular forte, que já sofreu muitas ameaças neste período, mas os desafios permanecem”, afirmou.

Ela criticou o avanço de grandes projetos de infraestrutura que reforçam o modelo capitalista de produção e consumo, citando a hidrovia do rio Tocantins como exemplo de ameaça concreta aos modos de vida tradicionais. “Essa obra afetará diretamente comunidades que dependem dos rios para suas necessidades diárias”, alertou.

Sara também chamou atenção para o projeto da Nova Doca, uma das obras planejadas em Belém para a COP 30, como exemplo de intervenção urbana excludente. “É um modelo que reproduz o racismo ambiental, porque valoriza as áreas centrais, criando grandes obras embaladas em papel de presente, e destina os resíduos para áreas periféricas inchadas, como a Vila da Barca, que recebeu a usina de tratamento de esgoto da Nova Doca”, denunciou.

Para a coordenadora da FASE, o capitalismo é o principal causador da crise climática, por sua lógica de exploração ilimitada dos recursos naturais. Ela defende que as soluções estão nos territórios e nos saberes dos povos da floresta. “Nessa COP na Amazônia precisamos garantir que esse elemento não seja apenas simbólico ou ilustrativo. Os modos de vida dos povos amazônicos, que produzem e cuidam dos bens comuns, devem ser reconhecidos como fundamentais para o equilíbrio ambiental do planeta”, afirmou.

A coletiva foi promovida pela Federação Alemã para o Meio Ambiente e Conservação da Natureza (BUND), Fundação Heinrich Böll e a organização Misereor, com participação de representantes da Plataforma Cipó, Amigos da Terra Brasil e FALA. A moderação ficou a cargo da jornalista Laura Endt, assessora de imprensa da Fundação Heinrich Böll.

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