Reações tímidas mostram a urgência de fortalecer o campo progressista nas próximas eleições. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Como se uma tentativa de golpe de Estado, acompanhada de um plano para assassinar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice Geraldo Alckmin e o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, fosse apenas “um crime qualquer”, a maior parte da bancada federal do Pará optou pelo silêncio diante da prisão preventiva de Jair Bolsonaro. É um silêncio que diz muito, e que cobra ainda mais.
Entre os poucos que romperam essa omissão, o deputado Airton Faleiro (PT) destacou nas redes sociais tratar-se de uma “prisão cautelar”, mas defendeu com firmeza a decisão do STF: “A prisão de Bolsonaro nesta manhã é correta. Ele e os demais envolvidos na trama golpista demonstram desprezo sistemático pela lei. A fuga recente de Alexandre Ramagem ao exterior, para escapar da prisão após condenação, mostra do que são capazes.”
Do outro lado, vozes bolsonaristas como Joaquim Passarinho, presidente do PL no estado, lamentaram o desfecho. Para ele, a decisão seria “infundada” e “desnecessária”. A mesma linha foi repetida por Éder Mauro, Caveira e pelo senador Zequinha Marinho (PODE), numa tentativa de minimizar um dos mais graves ataques à democracia desde a redemocratização.
Mais revelador, porém, é o silêncio estratégico das figuras ligadas ao governo Lula no Pará. Nem os ministros Celso Sabino (União) e Jader Filho (MDB), nem o governador Helder Barbalho (MDB) e sua vice, Hana Ghassan (MDB), julgaram necessário se manifestar publicamente sobre um episódio que diz respeito à própria integridade das instituições que eles ocupam. Cada um, ao que tudo indica, faz cálculos eleitorais: para o Centrão, enfrentar o bolsonarismo é arriscado; para o MDB, melhor não desagradar nenhum dos lados.
Se há um recado que essa conjuntura deixa evidente é que não basta contar com a boa vontade das instituições: é preciso ter representantes comprometidos com elas. O avanço de pautas progressistas, ambientais, sociais e igualitárias depende diretamente da força política que ocuparmos no Congresso. Sem ampliar a bancada progressista nas próximas eleições, continuaremos reféns desse vacilo calculado, dessa hesitação conveniente que se manifesta justamente nos momentos em que mais se exige firmeza. E isso começa aqui, no Pará, com a responsabilidade de reconhecer quem realmente defende a democracia, e quem apenas faz contas.








