Projeto “Acionador Automático de Ambu” (AAA), desenvolvido no Pará, automatiza reanimador manual e é alternativa viável para locais remotos e situações de crise – Foto: divulgação/UFPA
Um ventilador mecânico de baixo custo, que funciona apenas com ar comprimido (disponível na rede hospitalar) e não depende de energia elétrica, foi o grande vencedor da 6ª edição do Prêmio de Inovação em Engenharia e Biomedicina para o Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito nesta semana.
O projeto Acionador Automático de Ambu (AAA), desenvolvido pelo Laboratório de Concepção e Análise de Dispositivos Elétricos (LCADE), sediado no Pará, conquistou a premiação nacional que busca identificar soluções tecnológicas viáveis para a saúde pública brasileira. A iniciativa é uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB), a Boston Scientific, o Ministério da Saúde e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Solução nascida na pandemia
A ideia surgiu em 2020, durante a crise da covid-19, como resposta à escassez de ventiladores elétricos e à superlotação hospitalar. Na época, profissionais de saúde precisavam utilizar com frequência o Ambu – um reanimador manual composto por uma bolsa de silicone que, ao ser pressionada repetidamente, ventila o paciente.
A operação manual, no entanto, é desgastante e leva à exaustão das equipes. O projeto AAA veio para automatizar esse processo. O dispositivo acopla-se ao Ambu tradicional e utiliza apenas ar comprimido, um insumo comum em hospitais, para realizar a compressão automática da bolsa, mantendo a ventilação do paciente sem esforço físico e sem necessidade de tomada elétrica.
Tecnologia robusta para a Amazônia e além
Atualmente, o foco do aparelho é atender populações em locais com escassez de energia elétrica, como comunidades ribeirinhas da Amazônia. No entanto, sua simplicidade e baixo custo também o tornam uma opção valiosa para situações de emergência ou em hospitais com infraestrutura limitada.
“Este reconhecimento nacional estimula o desenvolvimento de projetos de tecnologia na saúde por pesquisadores da Amazônia para a nossa região”, comentou Henrique Brito, integrante da equipe vencedora. “Quando um produto é desenvolvido e funciona aqui, ele vira um produto robusto, porque passa por desafios que grandes cidades que têm mais estrutura não passam. Além disso, mostra que, no Pará e na região amazônica, também fazemos pesquisa de alta relevância.”
A equipe do LCADE é composta pelos pesquisadores Henrique Brito, Emanuele Silva, Lucas Morais, Jhennifer Freitas, Vitor Brabo, Rodrigo Carvalho e Roniel Marques, sob coordenação dos professores Wellington Fonseca e Marcelo Silva.
Sobre o Prêmio
Criado em 2020, o Prêmio de Inovação em Engenharia Biomédica para o SUS é direcionado a projetos com potencial de aplicação no sistema público de saúde. A seleção possui duas categorias: Acadêmica (artigos, TCCs, dissertações, teses) e Inovação Aplicada (relatos de experiência, modelos de negócios de startups ou projetos de profissionais da rede pública). O projeto AAA se encaixa na premiação por representar uma inovação tecnológica acessível com impacto direto na assistência à população.
Com informações do Portal da UFPA








