Foto: Nailana Thiely

Belém perdeu, nesta terça-feira, 30 de dezembro de 2025, uma de suas figuras mais emblemáticas da cultura popular e dos saberes tradicionais. Faleceu Clotilde de Souza, conhecida internacionalmente como Dona Coló, uma das erveiras mais reverenciadas do Ver-o-Peso.

Dona Coló dedicou cerca de 40 anos ao trabalho com ervas medicinais, produzindo remédios e tratamentos baseados exclusivamente em conhecimentos tradicionais. Ela integrava a terceira geração de erveiras de sua família, mantendo viva uma prática ancestral que atravessa décadas e faz parte da identidade cultural de Belém e da Amazônia.

Segundo informações de familiares, Dona Coló estava internada há cerca de um mês no Hospital Abelardo Santos, após sofrer mais um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Na tarde desta terça-feira, ela teve uma parada cardíaca e não resistiu.

Dona Coló recebendo do então prefeito Edmilson Rodrgues a Medalha do Mérito Francisco Caldeira Castelo Branco, em 2021. Foto: Mácio Ferreira

Reconhecida pelo seu trabalho e pela importância cultural de sua atuação, Dona Coló recebeu, em 2021, a Medalha do Mérito Francisco Caldeira Castelo Branco, concedida pelo então prefeito Edmilson Rodrigues. A honraria foi instituída pelo Decreto Municipal nº 14.538/78, de 1º de agosto de 1978, durante a gestão do prefeito Ajax Carvalho D’Oliveira, e é destinada a homenagear pessoas físicas e jurídicas que contribuem para o desenvolvimento, a valorização e a memória da capital paraense e de sua população.

A trajetória de Dona Coló ultrapassou os limites do mercado do Ver-o-Peso. Seu nome tornou-se referência internacional quando o assunto é medicina tradicional, saberes da floresta e a relação entre cultura, fé e cuidado popular, atraindo pesquisadores, turistas e admiradores do Brasil e do exterior.

Até o momento, não há informações oficiais sobre as cerimônias de despedida. Familiares devem divulgar detalhes sobre velório e sepultamento.

 

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