Publicação do MEC reconhece a violência contra meninas e mulheres como problema estrutural e aponta a escola como espaço central de prevenção, mas efetividade depende de implementação real nas redes de ensino. Foto: Divulgação Secom/PR

O Ministério da Educação (MEC) lançou, nesta quarta-feira (25), o quarto caderno da Coleção Educação em Direitos Humanos, intitulado “O Papel da Escola no Enfrentamento à Violência Contra Meninas e Mulheres”. A publicação reúne reflexões, diretrizes e recomendações que colocam em diálogo a legislação brasileira e o papel da escola diante de um cenário descrito pelo próprio material como uma epidemia de violências de gênero.

Produzido em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e com apoio de organismos internacionais, o caderno integra o Plano de Ação do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, lançado em 2024 pelo governo federal .

A cartilha parte do diagnóstico de que a escola não é neutra. Ao longo da história, a instituição escolar ajudou a reproduzir desigualdades de gênero, reforçando papéis sociais que colocaram meninas e mulheres em posições de submissão e vulnerabilidade. Durante séculos a educação formal no Brasil foi pensada para formar meninas para funções domésticas e de cuidado, naturalizando relações desiguais de poder. Essa herança ainda se reflete no presente, onde meninas continuam expostas a diferentes formas de violência, doméstica, sexual, psicológica e simbólica.

Ao mesmo tempo, o MEC aposta na escola como um espaço estratégico para romper esse ciclo. A proposta é que o ambiente escolar se transforme em um território de acolhimento, proteção e formação crítica, capaz de identificar situações de risco e acionar redes de proteção.

A publicação reforça que a violência contra meninas e mulheres não é episódica, mas estrutural. Dados citados no material apontam que 14,6% de estudantes já sofreram violência sexual, mais de 47 mil mulheres foram assassinadas no Brasil em uma década. O documento classifica o feminicídio como expressão extrema de uma cadeia contínua de violências, alimentada por desigualdades históricas de gênero, raça e classe.

Educação em direitos humanos como estratégia

No centro da cartilha está a defesa da Educação em Direitos Humanos como ferramenta pedagógica para enfrentar essas violências. A proposta é transformar práticas, currículos e relações dentro da escola.

Entre as diretrizes estão:

  • inclusão do tema nos projetos pedagógicos;
  • formação continuada de professores;
  • criação de ambientes seguros para denúncia;
  • articulação com políticas públicas e redes de proteção.

Em cidades como Belém, por exemplo, onde políticas educacionais têm sido alvo de críticas por falta de diálogo e desestruturação de programas, o desafio é transformar orientação em prática.

Acesse a cartilha abaixo: 

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